Serra cobra mais estrutura na campanha

Tucano convoca coordenadores e obtém garantia de investimento de R$ 20 milhões para triplicar produção de material de divulgação

Ana Paula Scinocca, Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Material extra. Parttido vai dar R$ 20 milhões para triplicar a produção de banners e santinhos                

 

 

 

 

 

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, resolveu entrar em campo e cobrar diretamente de seus auxiliares e do comando do partido mais infraestrutura e melhor distribuição do material de divulgação da campanha.

Além de convocar o coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PE), para uma reunião anteontem à noite, em São Paulo, Serra chamou José Henrique Reis Lobo, da área financeira administrativa, e Sérgio Kobayashi, de infraestrutura.

De acordo com relatos da reunião, Serra queria saber o porquê de algumas regiões não estarem recebendo material de campanha. Uma das reclamações de aliados é de que o dinheiro para a produção de material não está sendo liberado pela área administrativa. O presidenciável tem ouvido reclamações de aliados em suas viagens aos Estados.

O encontro serviu para os tucanos definirem mais ações para conter o avanço da candidata governista, Dilma Rousseff. Uma das medidas a serem adotadas é "colar" os candidatos nos Estados ao presidenciável. Ficou acertado que cerca de R$ 20 milhões serão gastos com a produção de itens para a divulgação, como banners e santinhos.

Guerra disse ontem que a produção de material para a campanha de Serra será "triplicada" e enviada aos Estados com mais agilidade. "A prioridade é abastecer todos os Estados."

No domingo, o partido já havia convocado uma reunião da área administrativa e de infraestrutura com o setor de arrecadação. O objetivo era tentar articular melhor as áreas. Depois da reunião entre as partes, Serra convocou os três tucanos para o encontro de anteontem.

O coordenador político da campanha de Serra comentou a ofensiva do partido para conter o avanço de Dilma em São Paulo. No Estado, segundo o Instituto Datafolha, a vantagem de Serra caiu pela metade entre julho e o início de agosto. Passou para 7 pontos porcentuais.

Outra ação definida é a agenda política em conjunto com o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin. Está programado para a próxima semana um encontro que pretende reunir 450 prefeitos em São Paulo.

Estratégia. Apesar da desvantagem nas pesquisas, toda a estratégia dos tucanos tem na mira empurrar a disputa para o segundo turno. De acordo com as últimas pesquisas de intenção de votos, se a eleição fosse hoje, Dilma venceria no primeiro turno.

"Em 2006 a diferença nas pesquisas nessa altura do jogo era ainda maior", declarou ontem um importante integrante do comando da campanha.

Há quatro anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o favorito para ser reeleito em primeiro turno, mas o então candidato tucano Geraldo Alckmin acabou conseguindo carimbar seu passaporte para a segunda etapa da disputa.

A ida de Alckmin ao segundo turno, porém, foi atribuída basicamente à divulgação do dossiê dos aloprados. O material tinha José Serra como alvo preferencial. Na época ele era candidato ao governo paulista. A elaboração do dossiê - que os tucanos atribuíram aos petistas - acabou respingando na campanha presidencial.

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