Serra começa a viajar semana que vem

Serra começa a viajar semana que vem

O candidato tucano à Presidência, José Serra, começa a viajar pelo País na próxima semana. Em conversa com o Estado, Serra disse que dará a largada no roteiro de viagens logo depois do dia 10, quando apresentará sua pré-candidatura em encontro nacional do PSDB, do DEM e do PPS.

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

A agenda só será definida nos próximos dias, em reunião com o coordenador geral da campanha, que já está escolhido: o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Nos bastidores, tucanos e aliados ensaiam um debate em torno de uma preliminar: Serra deve abrir a agenda pelo Nordeste, na tentativa de reduzir a vantagem da adversária petista Dilma Rousseff na região, ou o melhor é centrar esforços nos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ele lidera a disputa? Os pragmáticos do PSDB dizem que o candidato não entrará nesta discussão e antecipam: o roteiro vai começar pelos locais nos quais não há conflito entre os aliados, não importando a região.

O pernambucano Sérgio Guerra é um dos que defendem que o pré-candidato trabalhe mais o Nordeste e dê prioridade à região. Avisa, no entanto que "não será nada radical". Ele reconhece que Dilma se aproveita das "facilidades" que tem no Nordeste, a partir da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e por isto mesmo, diz ele, "anda por aqui todo dia".

Da mesma forma, o coordenador da campanha vai recomendar a Serra que invista também nos locais onde ele já está bem e lidera as pesquisas de intenção de voto. O objetivo, neste caso, é consolidar o que foi conquistado e, principalmente, alargar a vantagem.

Dentro deste raciocínio, um dos primeiros destinos do pré-candidato tucano deve ser o Paraná. Andar agora pelo Estado é bom para pegar o embalo do crescimento recente do ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato do PSDB a governador, Beto Richa.

Pesquisas internas dos tucanos mostram que Richa está praticamente empatado com Osmar Dias (PDT). Em dezembro, o instituto DataFolha já registrava uma disputa parelha entre o atual prefeito de Curitiba e o senador.

A cúpula tucana ainda tenta um acerto com o senador Osmar Dias. Alguns tucanos até trabalharam para compor com Dias, oferecendo a ele o Senado, e outros tentaram adiar a candidatura de Richa ao governo. Mas a operação para deixar Dilma Rousseff sem palanque no Paraná fracassou.

As conversas para azeitar o ambiente político para Serra devem ser concluídas nesta semana. O tucanato só não abre mão de assegurar o controle da situação política, para evitar que Serra se desgaste com eventuais disputas locais, ao invés de tirar proveito das visitas.

Santa Catarina, nem pensar. Serra tem situação eleitoral confortável no Estado, mas a aliança por lá está confusa, com palanques múltiplos de aliados que andam se engalfinhando. PMDB, PSDB e DEM podem lançar candidatos. No Grande do Sul, eles também querem esperar até que a governadora tucana Yeda Crusius consolide sua recuperação nas pesquisas.

Nordeste. As conversas preliminares sobre o roteiro nordestino apontam várias possibilidades de viagens onde os palanques locais estão bem estruturados. Caso do Rio Grande do Norte, Estado em que o DEM da senadora Rosalba Ciarlini lidera a corrida estadual e o líder do partido no Senado, José Agripino, já testou sua popularidade, quando sua apadrinhada derrotou a candidata do presidente Lula para a prefeitura de Natal.

Serra também tem sinal verde para visitar a Bahia, onde o PSDB do deputado Jutahy Júnior fez uma aliança inédita com os sucessores do carlismo e apoia a candidatura de Paulo Souto contra o governador petista Jaques Wagner, que trabalha para ser reeleito.

Outra convergência é apressar uma viagem a Sergipe, por exemplo. Lá, o pré-candidato do DEM ao governo e ex-governador João Alves exibe um bom desempenho e não há brigas. Mais do que isto, tucanos e dirigentes do DEM avaliam que a presença de Serra em Aracaju terá serventia dupla.

Além de conquistar a simpatia dos sergipanos, Serra "dará uma força" a Alves no confronto direto com o PT do governador Marcelo Déda, que disputará o segundo mandato. Da mesma forma, Serra também vai reforçar a campanha tucana do ex-prefeito de Teresina Sílvio Mendes, que agora enfrenta uma disputa acirrada com o senador João Vicente Claudino (PTB) pelo governo do Piauí. Pesquisa do Ibope divulgada no início do mês apontava empate técnico entre os dois.

Preocupado com a demanda excessiva e com a pressão pela presença do candidato Brasil afora, Guerra adverte que "animar a torcida" é importante, mas não é o fundamental no primeiro momento. Ele entende que o mais importante neste início de pré-campanha é que o candidato se comunique com a sociedade em geral. "Vamos montar uma agenda para que não fiquemos entre nós e Serra possa interagir com a população onde quer que ele vá", arremata Guerra.

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