Serra critica governo, sem citar Lula

Em visita à Baixada Fluminense, no Rio, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, manteve ontem a estratégia de criticar o governo federal sem citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que a atual gestão é pouco atuante na área de segurança nacional e que, no setor de saneamento, "faz muita propaganda", sem tirar projetos do papel.

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

"Fala-se muito de saneamento, o governo federal faz uma propaganda imensa, mas a gente não vê acontecer na realidade", disse, durante caminhada na comunidade Ouro Preto, em Nova Iguaçu. "É preciso fazer menos propaganda nesse aspecto e fazer mais coisas acontecerem, tirar do papel."

Os investimentos do governo em saneamento foram alvo de polêmica na semana passada depois que Dilma Rousseff divulgou um volume maior do que o real em relação a recursos aplicado na área na favela da Rocinha, no Rio. Dois dias depois, Dilma recuou e informou que os R$ 270 milhões citados por ela também incluíam obras de urbanização.

Apesar da alfinetada, Serra evitou polêmica em relação à demora dos ministérios do Trabalho, Cidades e Educação em corrigir informações erradas fornecidas recentemente por Dilma. A demora gerou polêmica já que alguns ministérios usaram seus sites para rebater rapidamente críticas por feitas por Serra em debates na televisão.

Pesquisa. Na visita que durou cerca de uma hora, o tucano conversou com moradores e chegou a aceitar um convite para subir na laje de uma casa de tijolos aparentes, onde comeu churrasco e bebeu cerveja. Mas evitou comentários sobre a queda nas intenções de voto apontada pela última pesquisa Datafolha.

De acordo com o levantamento, Serra perdeu quatro pontos, ficando com 33%, oito pontos atrás de Dilma, que subiu cinco pontos, para 41% das intenções de voto. "Eu já estive muito na frente, fui para trás, vai para frente. Eu não comento pesquisa se não a gente não faz outra coisa". / COLABOROU ALESSANDRA SARAIVA

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