Serra critica loteamento de cargos na Saúde

Em visita ao Rio, presidenciável tucano promete que, se eleito, fará a reforma administrativa e cortará cargos comissionados

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2010 | 00h00

Na primeira visita ao Rio como pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra atacou o que considera loteamento de cargos no governo, em especial na área da saúde e nas agências reguladoras. O tucano prometeu que, se eleito, fará "de cara" a reforma administrativa e garantiu que vai reduzir cargos comissionados (sem concurso público).

Ex-ministro da Saúde, Serra citou o exemplo da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para atacar o aparelhamento do governo Lula. "A Funasa foi destruída, ficou no chão", afirmou, em entrevista ao programa de Francisco Barbosa, da Rádio Tupi. Durante almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, voltou ao assunto e disse que, no atual governo, as agências reguladoras "foram pervertidas porque foram loteadas politicamente".

Sobre a reforma tributária, o tucano disse que, "infelizmente este governo não fez, o anterior também não". Ele acrescentou: "Ninguém fala contra, mas cada um tem uma ideia. O projeto do governo ficou pior ainda. Virou uma sopa de pedra, cada setor queria pôr uma pedrinha."

Em meio a negociações do PSDB com partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que têm cargos no governo, como PTB e PP, Serra avisou que não aceitará indicações de políticos. "Estou aberto a alianças, mas o pessoal sabe o que penso. Nunca aceitei indicação. Quando um deputado ou senador me dizia que tinha um nome, eu respondia: então, não me fala, porque não será nomeado."

Serra deu entrevistas a duas rádios populares e à emissora de TV católica Rede Vida, além de falar durante uma hora e meia para empresários na Associação Comercial. O tucano voltou a dizer que, se eleito, será o "presidente da produção" e fez promessas na área de segurança e educação, como a criação de um braço fardado da Polícia Federal, para atuar nas fronteiras e reprimir o tráfico de armas e drogas.

Apesar de ataques ao inchaço da máquina pública, Serra evitou confronto com Lula. "Eu não tenho ódios. Pessoalmente me dou muito bem com Lula. Ele já declarou que o Brasil vai estar bem com o candidato que for eleito. Lula não é candidato, não tenho por que debater com Lula, mas com quem deseja sucedê-lo." Questionado sobre acirramento do confronto com a petista Dilma Rousseff, Serra respondeu com bom humor: "Já ouviu Lupicínio Rodrigues? Eu tenho nervos de aço. Não saio do prumo."

Pré-candidato ao governo do Rio pelo PV, em aliança com PSDB, DEM e PPS, o deputado Fernando Gabeira esteve na Associação Comercial. Reiterou que, na disputa presidencial, pedirá votos para Marina Silva. "No meu programa de TV aparecerão Serra e Marina pedindo votos para mim. Não participarei do programa de Serra. Se for convidado, participarei do programa da Marina", disse.

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