Paulo Pinto/AE
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Serra culpa petistas por 'baixaria eleitoral'

Tucano compara a disputa com Dilma Rousseff à luta de Davi contra Golias

Daiene Cardoso AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou o nível da campanha presidencial deste ano e culpou o PT pela "baixaria eleitoral". "Das campanhas que eu assisti no Brasil, essa é a pior. Nunca um adversário se aparelhou tanto, nunca um adversário jogou tão baixo quanto nessa campanha", afirmou o tucano.

Serra - que participou ontem de encontro com cientistas na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em São Paulo - comparou a disputa com Dilma Rousseff (PT) à luta de Davi contra Golias e disse que tem recebido apoio. "É animador ter chegado onde cheguei."

Para o tucano, o programa de governo petista, divulgado ontem, é "uma jogada eleitoral". "Eles não oficializaram coisa nenhuma", afirmou, acrescentando duvidar das propostas do PT colocadas em um plano de governo. "Eles pensam com a conveniência do momento", disse, ao mencionar o apoio do PT ao Movimento dos Sem-Terra (MST), enquanto a candidata Dilma se diz contra as invasões de terra.

O candidato fez um apelo para que os eleitores compareçam às urnas no dia 31, durante o feriado de Finados, e só viajem depois da votação. "É importante que as pessoas não se deixem levar pelo feriado. É melhor ter um feriadão pela metade do que perder um ano novo", afirmou.

Para uma plateia de cientistas e acadêmicos, Serra criticou o que chamou de processo de "desindustrialização" da economia. "Temos um festival de importações que concorrem com a produção doméstica eficiente, mas que está prejudicada pela política monetária e cambial do governo, que é uma política anti-industrialização, antidesenvolvimento."

De acordo com Serra, o Brasil produz cada vez menos tecnologia necessária para o desenvolvimento nacional e está perdendo terreno para outras regiões. "Com os juros do jeito que estão e o câmbio do jeito que está, vai ter uma invasão de produtos, inclusive daqueles de maior tecnologia", afirmou. "É a economia da pobreza tecnológica. É isso que está em jogo nessa eleição."

A SBPC apresentou uma pauta de sugestões de investimento no setor de ciência e tecnologia. Serra prometeu ampliar os recursos públicos para o setor e criar uma política para atrair investimentos privados. "Precisamos ter uma legislação mais clara para dar segurança jurídica às empresas", disse o presidenciável.

Para o tucano, é preciso encarar a educação como prioridade de governo, acima das questões partidárias. Ele defendeu também que o País volte a atrair especialistas, que hoje estão no exterior "para que voltem a trabalhar no Brasil". Serra deve ir hoje ao Rio de Janeiro e ao Rio Grande do Sul. Na quarta-feira deve visitar o Estado da Bahia.

Pré-sal. No primeiro dia da última semana antes do segundo turno, o programa de Serra começou o horário eleitoral na TV rebatendo as declarações dos adversários de que, caso eleito, privatizaria o pré-sal e a Petrobrás.

Serra mostrou números afirmando que a administração do presidente Lula e de Dilma Rousseff privatizaram mais petróleo do que os governos anteriores . Pelas contas da campanha tucana, a administração atual entregou petróleo brasileiro a 108 empresas privadas, sendo 55 nacionais e 53 estrangeiras. Segundo o programa de Serra, receberam petróleo do governo Lula e Dilma empresas de Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Noruega, Espanha, Portugal, Índia, Colômbia e Argentina. Também destacou seus feitos na área da cultura quando governou o Estado de São Paulo, citando o Museu da Língua Portuguesa, o Museu do Futebol e a extensão da Virada Cultural para outras 30 cidades do Estado. / COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

EU PROMETO

José Serra, candidato do PSDB à Presidência

Dobrar o investimento em ciência e tecnologia, de 1% para 2% do PIB, até 2020

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