Serra diz que CUT virou 'superpelega' na era Lula

Em encontro na UGT, tucano reage a crítica de centrais e cita 'profissionais da mentira'

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, aumentou ontem o tom das críticas às centrais sindicais e, sem citar nomes, chamou integrantes das entidades de "profissionais da mentira" e a CUT de "superpelega".

"Nesta campanha se criou uma nova profissão, que são os profissionais da mentira. Daqui a pouco vão estar reivindicando piso, adicional de férias, quinquênios e etc.", disse Serra em encontro da União Geral dos Trabalhadores (UGT) ? 12 das 21 unidades estaduais da entidade sindical dizem apoiar o tucano.

A declaração foi mais um capítulo no bate-boca com cinco centrais sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, CTB e Nova Central) que, no domingo, soltaram manifesto no site do PT acusando o tucano de "impostura" e de "golpe contra os trabalhadores".

Ao comentar que, no fim dos anos 80, publicou manual do direito dos trabalhadores e emenda que vinculou o PIS/Pasep ao seguro-desemprego, disse: "Nesta campanha os profissionais da mentira ficam buscando coisas novas que é para a gente ficar desmentindo a mentira, a mentira."

Questionado sobre quem seriam os "profissionais da mentira", afirmou: "Estão em praça pública. É só olhar e ver as mentiras. Essa do FAT." Serra tem usado a proposta como um dos motes de sua campanha. Ontem, o principal alvo foi a CUT, que tem forte relação com o governo federal. "A CUT era uma entidade sindical antipelega, até o PT chegar ao governo. Depois que o PT chegou ao governo, virou a entidade superpelega", declarou.

O tucano disse que a relação dos movimentos sindicais com o governo supera o que havia na época do presidente João Goulart (1961-1964). "Realmente (eram) aprendizes de pelego em relação com o que se tem hoje."

"Falaram que eu ia acabar com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que na verdade hoje é um cabide de emprego para o pessoal do MST. Nunca falei isso ao longo desta campanha." Segundo o tucano, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, endossaria as "mentiras". "Outro dia (vi) o Dutra, homem sério, trabalhamos juntos no Senado, também endossando mentira."

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