Serra diz que PT tem ligação com as Farc, mas não com narcotráfico

Candidato do PSDB procura minimizar as declarações de Índio da Costa, afirma que se trata de uma opinião de seu vice e aproveita para cobrar apuração do caso do vazamento do Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, 'uma coisa mais séria'

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

BELO HORIZONTE

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que "todo mundo sabe" da ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ressalvou, contudo, que isso não significa que o partido tenha vínculos com o narcotráfico.

Durante a inauguração de um comitê tucano em Belo Horizonte, Serra foi questionado sobre a polêmica entrevista concedida por seu vice, Índio da Costa (DEM-RJ), ao site Mobiliza PSDB. Na entrevista, já retirada do ar, Índio afirmou: "Todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior." Por conta dessa declaração, o PT entrou ontem com três ações na Justiça contra Índio (veja na pág. A6).

Apesar de dizer que os esclarecimentos cabem a Índio, o tucano endossou o vice no que se refere às ligações do PT com as Farc. "A ligação do PT com as Forças Armadas Revolucionárias colombianas, isso todo mundo sabe, tem muitas reportagens, tem muita coisa. Apenas isso. Agora, as Farc são uma força ligada ao narcotráfico. Isso não significa que o PT faça o narcotráfico."

Opinião. A princípio, Serra procurou minimizar as declarações de Índio. Afirmou que se trata de uma opinião e aproveitou para cobrar apuração do caso do vazamento do Imposto de Renda de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB. A suspeita é de que o os dados do dirigente tucano tenham abastecido um suposto dossiê que estaria sendo organizado pelo chamado "grupo de inteligência" da pré-campanha da candidata petista, Dilma Rousseff.

"Os esclarecimentos do que disse, do que não disse, o próprio Índio da Costa o fará. Agora, de toda maneira, aí nós estamos discutindo opiniões. Alguns podem gostar, outros não gostar", declarou Serra, chamando a atenção para o que considera "uma coisa mais séria, que é quebra de sigilo, que é afronta à Constituição, prática de crime". E cobrou: "Essa questão precisa ser apurada, ir para a Justiça e ser resolvida ali na Justiça, porque é um crime muito grave como vários outros que têm sido praticados, cercando toda essa história de dossiê."

Metamorfose. Serra também comentou a possibilidade de o PT entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a subprocuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. Os petistas consideram que ela age com rigor em excesso ao solicitar investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por abuso de poder político em favor de Dilma.

"O PT faz uma coisa sempre interessante. Quando pratica algo ilegal com alguém, a vítima passa a ser a culpada. Quando é condenado pela Justiça, a Justiça passa a ser culpada. Realmente é uma capacidade de metamorfose sensacional, mas que tem muito pouca credibilidade."

Em companhia do governador Antonio Anastasia, candidato à reeleição, e do ex-governador Aécio Neves, que disputa o Senado, Serra participou da inauguração de um comitê tucano em Belo Horizonte. Os candidatos conversaram com populares e fizeram rápida caminhada até o comitê, acompanhados de cabos eleitorais.

Factoide. No início da noite, em Divinópolis (MG), Serra criticou a iniciativa do PT de acionar Índio na Justiça. Para ele, os petistas recorrem a "factoides" para produzir notícias e desviar a atenção da campanha eleitoral. / COLABOROU LIZIANE RICARDO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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