Serra diz que, se eleito, 'o BC fica como está'

RIO

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse ontem, em entrevista a Miriam Leitão, no canal a cabo GloboNews, que "o Banco Central vai ficar como está", caso ele seja o próximo presidente da República. Afirmou, também, que uma preocupação imediata, se eleito, será "estatizar o Estado" ? que, segundo ele, foi privatizado e entregue a partidos e aliados do atual governo. Como exemplo, afirmou que os Correios "estão sendo destruídos pelo loteamento partidário".

Na questão do BC, o candidato tucano disse que ele só ficou independente, durante o governo Lula, "porque o (Henrique) Meirelles tinha um processo que poderia lhe trazer condenações e o Lula, para protegê-lo, deu-lhe status de ministro, para que isso só transitasse pelo STF". E arrematou: "Não foi nenhuma teoria econômica por trás disso."

Economia. Perguntado sobre como enfrentar a candidata de um governo que vai muito bem na economia, afirmou que "às vezes a economia aponta pra um lado, depois para outro". E lembrou que Bill Clinton não conseguiu fazer seu sucessor, nos Estados Unidos, "mesmo em um momento em que ele era bem avaliado e quando a economia do país estava bombando".

Serra defendeu ainda, na entrevista, a necessidade de se aprovar uma lei "pela qual os impostos sejam conhecidos pelos consumidores". Por essa lei, explicou, o valor do imposto de cada produto deverá constar na própria mercadoria. "Isso vai ajudar a criar uma consciência coletiva sobre o assunto." Na mesma linha, defendeu a criação de uma "nota fiscal brasileira", nos termos da atual nota fiscal paulista, que, segundo ele, "devolveu cerca de R$ 2 bilhões de créditos" aos consumidores.

O candidato voltou a mencionar o "tripé de coisas estranhas" que acontecem no Brasil ? a maior carga tributária do mundo, os juros mais altos e a menor taxa de investimentos. Quando a jornalista o lembrou de que ele participou de um g0verno ? o de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) ? que também aumentou a carga tributária, o candidato respondeu: "Naquele período, os preços médios dos produtos brasileiros caíram 12%. E, durante os anos do governo Lula, subiram mais de 100%."

Serra disse ainda que "considera importante" aumentar o superávit primário e que isso é possível simplesmente "evitando gastos inúteis, revendo preços de contratos e promovendo pregões eletrônicos.

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