Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Serra é agredido por petistas no Rio

Pastor diz ter visto rolo de papelão atingir cabeça de candidato em calçadão

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

No episódio mais tenso da campanha de rua para a Presidência da República, militantes do PT e do PSDB entraram em confronto na tarde de ontem em Campo Grande, na zona oeste do Rio, e o candidato tucano José Serra foi atingido na cabeça por um rolo de papelão. Depois do incidente, Serra foi de helicóptero para um hospital em Botafogo, na zona sul, onde se submeteu a exames. Nada foi constatado.

O tumulto generalizado aconteceu quando Serra fazia caminhada pelo calçadão do bairro e levou comerciantes a fecharem as portas das lojas por pelo menos meia hora. Assim que foi atingido, Serra pôs as mãos na cabeça e foi levado para a van da campanha, logo cercada pelos petistas. Com uma bolsa de gelo na cabeça, o candidato disse ter ficado "meio grogue". Serra acusou o PT de montar uma "tropa de choque". "São profissionais da mentira e da violência", disse o candidato, antes de ser atingido, quando a confusão apenas começava e ele estava abrigado em uma loja de cosméticos.

"Lembra a tropa e assalto dos nazistas? É tropa de choque, muito típico dos movimentos fascistas, como eles são. É gente recrutada para fazer papel de tropa de choque", comparou Serra. Apesar do clima hostil, o candidato tucano voltou para a rua, o que aumentou o tumulto, porque os petistas cercaram o candidato, gritando palavras de ordem e xingamentos.

A confusão começou por volta das 13h30, quando o grupo de Serra, ciceroneado pela vereadora Lucinha (PSDB), passou por uma pequena manifestação de agentes de saúde que trabalhavam no combate à dengue e foram demitidos no governo Fernando Henrique Cardoso, quando Serra foi ministro da Saúde. Cabos eleitorais da campanha tucana tentaram impedir que os manifestantes se aproximassem do candidato.

Mata-mosquito. Rapidamente, a discussão evoluiu para o confronto físico, com cartazes rasgados e bandeiradas de todos os lados. A essa altura, um grupo de militantes do núcleo do PT de Campo Grande já tinha se juntado aos agentes, conhecidos como mata-mosquitos. Os manifestantes chamavam Serra de "assassino" e exibiam cartazes com inscrições como "Cadê o Paulo Preto?", em referência ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, que, segundo reportagem da revista IstoÉ, teria fugido com R$ 4 milhões da campanha tucana. O candidato do PSDB parou diante de alguns petistas e devolveu os xingamentos.

Ao lado do candidato a vice Índio da Costa e do candidato derrotado ao governo do Rio Fernando Gabeira (PV), Serra caminhou mais uma curta distância. O pastor Paulo Cesar Gomes, da igreja Deus de Poder e Glória, disse ter visto o momento em que Serra foi atingido por um rolo de adesivos de campanha. "Era uma bobina de papel de uns 50 centímetros. Eu também fui atingido na cabeça", disse. "Não respeitaram nem os pastores."

Do lado adversário, petistas reclamaram das agressões dos cabos eleitorais tucanos. Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Agentes de Combate às Endemias (SindSaúde), José Ribamar de Lima disse que viu "ontem (terça-feira) à noite na internet" a informação de que Serra estaria em campanha no calçadão e, com alguns companheiros, organizou a manifestação. "Nos sentimos na obrigação de denunciar porque ele diz ter sido o melhor ministro da Saúde", disse Lima.

Nota. O presidente do PT do Rio, deputado Luiz Sérgio, disse em nota que o partido "repudia veementemente qualquer tipo de violência" e que pedirá investigação policial para apontar os responsáveis pelo tumulto. Segundo o parlamentar, "seguranças do candidato José Serra, do PSDB, trataram com rispidez integrantes do grupo conhecido com mata-mosquitos". "Rechaçamos a tentativa de imputar ao PT ou a militantes petistas qualquer tipo de agressão ou ato violento", concluiu Luiz Sérgio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.