Serra e Dilma dão largada na TV apelando para discurso religioso

Segundo turno. Programas eleitorais dos candidatos enviaram recados de maneiras distintas; vídeo da petista optou por mensagens menos explícitas vendendo a imagem de uma mulher honesta, já o filme do tucano foi enfático ao citar sua isenção em escândalos

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) deram largada ontem no horário eleitoral na TV no segundo turno enfatizando a questão do aborto, polêmica que teria levado a petista a um revés inesperado no primeiro embate com seu oponente. A diferença foi a forma como cada um abordou o tema.

Enquanto o programa de Dilma optou por mensagens veladas, vendendo a candidata como "mulher honesta, que respeita a vida e as religiões", o filmete de Serra foi enfático: "Este é José Serra, o homem que nunca se envolveu em escândalos e que sempre foi coerente, que sempre foi contra o aborto e defendeu a vida." Fé e religião deram o tom dos discursos de ambos.

Ao falar sobre o Mãe Brasileira, um dos principais projetos de Serra na área da saúde, a campanha tucana exibiu mulheres grávidas, todas com as barrigas de fora. "Consultas de pré-natal, apoio à saúde da mãe e do bebê. Mãe Brasileira, a favor da vida, a favor do Brasil. É Serra presidente", proclamou o narrador.

Na defensiva, o vídeo petista buscou desfazer a controvérsia que atingiu a campanha de Dilma na reta final do primeiro turno. O recado veio na voz da narradora: "A internet é uma grande conquista moderna. Mas uma corrente do mal tem usado a rede para espalhar, anonimamente, mentiras contra a Dilma. Não acredite neles", anotou. "Dilma é uma mulher honesta que respeita a vida e as religiões."

Em seguida, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem saiu em defesa de sua candidata. "Eu estou vendo acontecer com a Dilma o que aconteceu comigo no passado, pessoas saindo do submundo da política dizendo que eu iria fechar as igrejas, mudar a cor da bandeira. Ganhei as eleições e o que aconteceu? Mais liberdade religiosa, mais respeito à vida, mais comida na mesa e melhores salários." A própria petista se colocou como alvo de "uma das campanhas mais caluniosas que o Brasil já assistiu".

Em busca de votos, as duas campanhas usaram depoimentos de candidatos eleitos no primeiro turno. Em prol de Dilma falaram seis governadores e cinco senadores vitoriosos, entre eles lideranças do PT, como Tarso Genro (governador eleito do Rio Grande do Sul) e a senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy. O programa petista também deu destaque para a conquista da maioria das cadeiras no Congresso.

A propaganda tucana usou a mesma estratégia, escalando governadores e senadores eleitos para pedir votos para Serra. O primeiro a aparecer no vídeo foi o tucano Aécio Neves, senador eleito por Minas. Os testemunhais seguiram com os governadores eleitos Beto Richa (Paraná), Geraldo Alckmin (São Paulo), Antônio Anastasia (Minas) e Raimundo Colombo (Santa Catarina).

Dilma e Serra não se esqueceram de citar em seus programas a presidenciável do PV, Marina Silva, fiel da balança no primeiro turno. Os enfoques, mais uma vez, foram distintos. A petista somou os votos recebidos por ela e por sua adversária para concluir que "67% dos brasileiros querem uma mulher na Presidência". Já o tucano congratulou a candidata verde pela "expressiva votação".

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