Serra e Índio desafiam Dilma para debates

Em sabatina na Confederação Nacional da Agricultura, tucano critica MST e cobra do governo o apoio que dá ao movimento

Christiane Samarco, Eugênia Lopes, Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Após desempenhar por quase uma semana o papel de administrador da crise com o DEM, o presidenciável tucano José Serra, acompanhado do novo vice, deputado Índio da Costa, do Democratas, vestiu o figurino de candidato: chamou a petista Dilma Rousseff para uma disputa de currículos e propostas, além de atacar o governo Lula.

 

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Bem à vontade diante do auditório lotado da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o tucano aproveitou a plateia ruralista para atacar o Movimento dos Sem-Terra.

Não satisfeito em criticar o MST, Serra também reprovou a relação do governo federal com o movimento, ironizou a ausência e a falta de experiência da adversária petista e ainda observou que não se vende candidato como se fosse um iogurte.

"Nossa estratégia de campanha é a da exposição, da transparência e da verdade. A de outros candidatos não passa por aí", disse Serra ontem, em uma indireta à petista Dilma Rousseff.

O tucano condenou a injeção de recursos públicos no MST e o vaivém do governo Lula e de sua candidata. "Não adianta pôr o boné numa hora, e noutra hora tirar o boné (do MST) e esconder numa gaveta. É preciso ter clareza do que fazer", afirmou.

Serra também declarou que não compete ao governo dar dinheiro público para invasões. "O MST se diz de reforma agrária, mas, na verdade, não passa de um movimento de natureza revolucionária socialista."

O tucano considerou legítimas as reivindicações dos sem- terra, mas advertiu que dinheiro do governo não pode financiar invasões e desrespeitar as propriedades. "Reforma agrária não pode ser pretexto para uma ação política. Na prática o MST é mantido pelo governo federal."

Vice no Twitter. Enquanto Serra atacava o governo, Índio da Costa criticava Lula e Dilma em seu Twitter. "Lula diz que não me conhece. Esqueceu que tentou barrar o (projeto do) ficha limpa, mas não conseguiu", escreveu o deputado. Também aproveitou para acusar a petista de fugir do debate promovido pela CNA. "Tem petista que diz que sou inexperiente. Tenho mais experiência que a Dilma. Muito mais."

Para mostrar a atenção que seu eventual governo dará à agropecuária, Serra começou sua exposição referindo-se ao setor como a galinha de ovos de ouro da economia e criticou mais uma vez o MST, propondo-se a criar um marco contra o movimento que tem invadido áreas plantadas.

Serra bateu forte no governo Lula. Disse que há nova modalidade de privatização no Brasil, em que o governo pega o dinheiro do contribuinte e doa a determinadas empresas, financiando empréstimos subsidiados ao setor privado. Ao criticar o loteamento dos cargos públicos promovido pelo governo Lula entre os partidos e sindicatos, o tucano propôs estatizar o Estado brasileiro e voltou a condenar o aparelhamento das agências reguladoras.

O tucano disse que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ele criara nos tempos de ministro da Saúde, virou "um ponto de ônibus". Segundo Serra, políticos derrotados embarcam e, na eleição seguinte, desembarcam da direção da agência para concorrer a novo mandato.

Sem citar o nome dos adversários, Serra procurou mostrar que é o mais preparado para assumir o comando do País. "O governo não é lugar para aprender", destacou. "É lugar para fazer."

Âncora. Tratou a agricultura como a âncora verde da estabilidade de preços, mais forte até do que a âncora cambial que "acaba punindo a economia, pelo abuso". Diante de exportadores sempre queixosos do câmbio sobrevalorizado, e dos juros altos, disse que o Real, é a moeda mais valorizada do mundo. E foi aplaudido quando prometeu implantar o defensivo genérico no Brasil e criar nova política de crédito para o setor.

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