Serra e Marina assinam carta de Chapultepec

Ambos participarão do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, que abre hoje; Dilma não vai ao evento, mas também deve subscrever declaração

Wilson Tosta/ RIO, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) assinarão no 8.º Congresso Brasileiro de Jornais, a Declaração de Chapultepec, carta de princípios lançada no México em 1994 como compromisso de respeito à liberdade de imprensa.

Dilma Rousseff (PT) não vai ao evento, mas, segundo a ANJ, também se comprometeu a subscrever o documento. O encontro começa hoje sob o tema Jornalismo e Democracia na Era Digital, no Hotel Windsor Barra, no Rio. Entre os convidados, estão o diretor de redação de The Wall Street Journal e da Dow Jones et Company, Robert Thomson, e o diretor do Nieman Journalism Lab da Universidade Harvard, Joshua Benton.

"A importância (da assinatura do documento) é termos um compromisso prévio. Seja quem for o vencedor, já terá se comprometido com a liberdade de expressão", disse a presidente da ANJ, Judith Brito. "Isso é fundamental para o País, fundamental para a sociedade e para o jornalismo. Esse compromisso tem que fazer parte da plataforma de governo de cada um." Serra estará no congresso hoje, às 12h30, e Marina amanhã, às 9h.

A Declaração de Chapultepec foi adotada pela Conferência Hemisférica sobre Liberdade de Expressão em 11 de março de 1994. Ela aponta o jornalismo livre como "condição fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam a sua liberdade".

Adotada por chefes de Estado, juristas, entidades e cidadãos comuns, a Declaração já foi firmada por dois presidentes brasileiros: Fernando Henrique Cardoso, em 1996, e Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Pela primeira vez, será firmada por candidatos.

"Tínhamos programado o Congresso para esta época, resolvemos chamar os candidatos e foi uma decorrência natural buscar esse compromisso da parte deles", explicou o diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira. Segundo ele, o Brasil vive problemas localizados, "notadamente com decisões do Judiciário que implicam censura prévia", o que chamou de "absolutamente contrário à Constituição". "O caso mais notório é o do Estado, mas outros vêm ocorrendo." Há 384 dias, o Estado está proibido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal de divulgar informações a respeito da operação da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney.

Após queda de 3,5% em 2009, devido à crise econômica mundial, os jornais brasileiros vivem um 2010 de recuperação. Pedreira afirmou que, até maio, a circulação das publicações subiu 2%, e até o fim do ano o crescimento deverá chegar perto de 5%.

Programação. A programação do 8º Congresso Brasileiro de Jornais abordará aspectos técnicos, jurídicos e de negócios envolvendo o setor. Após a abertura do encontro às 9 horas de hoje, pela presidente da ANJ, uma mesa moderada pelo diretor-presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, debaterá O futuro da democracia e o jornalismo, com a participação de Joshua Benton, do sociólogo e colunista do Estado Demétrio Magnoli e pelo diretor de Redação da Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho.

Serviço

PRINCIPAIS PALESTRAS DE HOJE: ÀS 9 HORAS, O FUTURO DA DEMOCRACIA E O JORNALISMO. ÀS 11 HORAS, O FUTURO DA PUBLICIDADE NO JORNAL. ÀS 15 HORAS, O NOVO PROJETO GRÁFICO DO "ESTADÃO". ÀS 16H30, O FUTURO DO JORNAL E ENTREGA DO PRÊMIO MUNDICAL DE LIBERDADE DE IMPRENSA/

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