Serra elogia fala do papa, que Dilma respeita

Mas, enquanto tucano chama Bento 16 de ''guia espiritual muito importante'', candidata petista critica o rival por campanha ''por baixo do pano''

Eugênia Lopes, João Domingos e Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem não acreditar em constrangimentos ou prejuízos para sua campanha com o pedido do papa Bento XVI para que os bispos do Brasil deem orientação aos fiéis católicos. "É a posição do papa e tem que ser respeitada. Ele tem direito de manifestar o que ele pensa", disse. Já o candidato José Serra (PSDB) afirmou que é "bom para o mundo" ouvir o papa defender a vida.

Durante a campanha eleitoral a polêmica sobre o aborto dominou fortemente o debate entre Serra, Dilma e Marina Silva (PV), ainda no primeiro turno. E prosseguiu durante o segundo, com acusações de parte a parte e Serra dizendo que Dilma apoiava o aborto em 2007, tendo abjurado do que dissera durante a campanha. Para tentar se livrar desse rótulo, a petista até assinou um compromisso dirigido a líderes evangélicos, segundo o qual não proporá nenhuma modificação na legislação que trata do aborto.

"É a crença dele e ele está recomendando uma orientação", afirmou a petista sobre o papa, durante entrevista coletiva depois de receber sindicalistas petroleiros, em Brasília.

Dilma aproveitou as palavras do papa para criticar José Serra: "Eu não acho que o papa tenha nada a ver com isso. Aqui no Brasil ocorreu uma outra coisa. No Brasil ocorreu uma campanha que não veio à luz do dia. Quem fez a campanha não se identificou, não mostrou a sua cara. E foi uma campanha de difamações, de calúnias. E algumas delas feitas ao arrepio da lei", disse Dilma. "Eu pessoalmente sou contra o aborto", garantiu.

Para a coordenação da campanha de Dilma, as manifestações do papa não vão atrapalhar nada. "Chegaram tarde demais. Hoje esse é um debate superado", disse o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, um dos coordenadores da campanha da petista.

Líder espiritual. Em Uberlândia (MG), José Serra disse que não leu a declaração do papa na íntegra, mas que conhecia o seu teor. "O papa é um líder espiritual mundial da Igreja Católica, ele tem o pleno direito de emitir as suas diretrizes e orientações para os católicos do mundo. Tem plena liberdade de fazê-lo, é um guia espiritual muito importante", afirmou. "E a defesa da vida é algo que merece fazer parte das palavras do papa, além do que é previsível, além do que é bom para o mundo ouvir isso: a defesa da vida", completou o tucano.

Serra esteve no Uberlândia Clube, no começo da tarde de ontem, para encontro com políticos e lideranças empresariais e sindicais da região.

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