Serra: 'Esquerda tem de defender direitos humanos'

Tucano diz que não teria confiado em Ahmadinejad, acusado de perseguir e torturar oposicionistas, e fala da aproximação entre Dilma e Chávez. Para Serra, se o MST fosse pela reforma agrária 'apoiaria Plínio e o PSOL'

Carolina Freitas, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, definiu-se ontem como um político de esquerda, em resposta a PETISTAS que o classificaram como "um troglodita de direita". E contra-atacou: "Uma coisa é certa: quem se acha de esquerda tem de ser defensor de direitos humanos. Eu não teria confiado em Ahmadinejad", referindo-se ao presidente do Irã.

A afirmação foi feita durante sabatina realizada pelo canal Record News e o portal R7 - na qual o tucano ainda acusou a adversária petista Dilma Rousseff de fugir do debate, atacou o MST e prometeu, se eleito, "dar uma enxugada no desperdício". Sobre programas de governo, disse que o seu "não terá trololó nem firulas" e que virá "em forma de metas, como um milhão de novas vagas no ensino técnico e 154 policlínicas".

Serra reagiu com vigor ao ser mencionada a crítica do assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia, que o chamou de troglodita. "Troglodita de direita é quem apoia o Ahmadinejad, que está matando mulheres a pedradas". Segundo o tucano. Garcia "é de direita, totalmente, não tem nada de esquerda. Falar de esquerda é falar em direitos humanos, em políticas efetivamente populares, de curto, médio e longo prazo, não no jogo de grupos econômicos".

E foi além: "Defender o maior juro real do mundo não é ser de esquerda, defender a menor taxa de investimento governamental do mundo em desenvolvimento não é ser de esquerda, defender a maior carga tributária do mundo em desenvolvimento também não é ser de esquerda".

Ao falar da rival Dilma Rousseff, começou com uma acusação implícita, sem citar seu nome: "Há uma fuga do debate, não apenas física, mas também de ideias". Em sua opinião, "não se debatem temas, hoje tem uma central de boatos, que espalha coisa, é uma atitude de ofendido quando você diz alguma coisa que todo mundo sabe que é verdade". Mais adiante, aproximou-a do presidente venezuelano Hugo Chávez: "Chávez já declarou voto em Dilma. Chávez é dilmista e o PT é chavista".

Desperdício. Em outro momento, advertiu que um de seus planos é reduzir a máquina pública. "Vou dar uma enxugada no desperdício. Tem excesso de cargo comissionado". E deu uma explicação a respeito dessas funções: "cargo em comissão significa nomear uma pessoa que não fez concurso e pode não ter nenhuma capacidade para a função. Boa parte é emprego político".

O candidato tucano também ironizou o MST: "Se eles fossem pela reforma agrária, estariam apoiando o Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, que foi exilado por ser relator do projeto pela reforma agrária. Ele é o patriarca dessa reforma." Garantiu que, eleito, faria novos assentamentos e atuaria para aumentar a produtividade dos que já existem. "Hoje você tem muitos assentamentos cujos proprietários vivem de cesta básica."

Falou também sobre a política que adotaria quanto ao salário mínimo: "Será o melhor possível." E detalhou: "Se Deus quiser, vai continuar aumentando nos próximos oito anos, no mesmo ritmo do governo Lula."

Central de boatos

JOSÉ SERRA

CANDIDATO DO PSDB À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

"Não se debatem temas. Hoje tem um mecanismo que é uma central de boatos, que espalha coisas, e uma atitude de ofendido quando você diz algo que todo mundo sabe que é verdade"

"Uma coisa é financiamento de campanha, a outra é tirar dinheiro no banco para encaminhar votações. São fenômenos diferentes"

"Eu vou dar uma enxugada no desperdício. Tem excesso de cargo comissionado. Cargo em comissão significa nomear uma pessoa que não fez concurso e pode não ter nenhuma capacidade para a função. Boa parte deles é emprego político"

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