Serra garante continuidade das obras na Linha 4 do Metrô

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), garantiu nesta quarta-feira, 17, a continuidade das obras nas outras estações da Linha 4-Amarela do Metrô. Segundo ele, apenas na Estação Pinheiros, onde ocorreu o acidente, é que os trabalhos permanecem suspensos. "No caso dessa estação (Pinheiros), as obras estão suspensas. Mas no conjunto da cidade, onde não tem problema, não há porquê suspender", declarou. Ele também confirmou a suspensão do pagamento do mês de janeiro ao Consórcio Via Amarela, responsável pela obra de expansão do Metrô na cidade. A suspensão, no entanto, vale apenas para as obras na Estação Pinheiros e não se estende aos demais canteiros. "O pagamento do consórcio nesta estação não poderia ser feito porque não houve medição do serviço executado. Como é que pode pagar se não dá para medir o trabalho", disse. Sobre a decisão na suspensão, Serra disse que "foi uma medida administrativa tomada pelo Metrô, inclusive fiquei sabendo depois. Esse é um elemento que precisava ser separado do resto porque efetivamente você não vai pagar medição de uma obra que já não existe mais, porque foi destruída pelo acidente. O consórcio foi avisado e não foi nenhuma surpresa", afirmou, após participar do anúncio da entrega da segunda etapa das obras de recapeamento das Marginais do Tietê e do Pinheiros."A suspensão tem prazo e os pagamentos dos outros trechos serão retomados assim que fizermos essa separação", acrescentou. Serra disse que o governo ainda precisa analisar se o prazo de entrega da primeira fase da Linha Amarela, dezembro de 2008, não poderá ser cumprido.Na avaliação do governador, não é correto atribuir o acidente ao fato de a futura linha ser uma Parceria Público-Privada (PPP). "A avaliação que eu faço é que não tem nada a ver a PPP com o acidente e os fatos que ocorreram na Estação Pinheiros. A PPP se refere à compra de trens e à operação desta linha do metrô. Não tem nada a ver com a construção", explicou. "O Sindicato dos Metroviários tem plena liberdade para emitir suas opiniões. O sindicato atribui esse acidente à PPP, coisa que não tem rigorosamente nada a ver, é preciso esclarecer isso", criticou.Serra assegurou que o governo do Estado e o Metrô darão todas as informações possíveis ao Ministério Público (MP), que anunciou na terça-feira que vai investigar as causas do acidente. Quanto à possibilidade de a Assembléia Legislativa abrir uma CPI para investigar o desmoronamento das obras, Serra afirmou que a Assembléia é um poder soberano e que a decisão cabe aos deputados. O governo também contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que fará estudos para identificar os motivos do desabamento."Nós vamos nos pronunciar depois do exame que o IPT fizer. Ao MP, vamos proporcionar todas as informações que forem solicitadas, e a partir daí também vamos nos pronunciar", respondeu, ao ser questionado sobre se achava que o consórcio havia feito tudo o que estava a se alcance para evitar as mortes que ocorreram em decorrência do acidente.Apoio às vítimasSerra esteve no final da manhã desta quarta-feira no Instituto Médico-Legal (IML) para onde foi encaminhado o corpo do motorista do caminhão, Francisco Sabino Torres, terceira vítima encontrada nos escombros do Metrô da Estação Pinheiros. O governador foi prestar solidariedade aos familiares do motorista."´É uma perda irreparável. Eu vim trazer na verdade o meu apoio e a minha solidariedade. O marido e o pai não voltam", declarou.Questionado sobre o tipo que apoio que está sendo dado às famílias das vítimas, o governador voltou a garantir ´todo apoio jurídico´. "Agora está sendo dado todo o apoio para o sepultamento e vai ser dado depois todo o apoio às indenizações e tudo mais para poder pelo menos amenizar a dor, o sofrimento e as dificuldades dessa família de trabalhadores", declarou em entrevista coletiva. Ele também afirmou que as investigações do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) serão feitas após a retirada de todas as vítimas. Serra voltou a dizer que as indenizações serão pagas pelo seguro feito pela empresa responsável pela obras e que o governo vai prestar assistência jurídica às vítimas. "Vamos fazer isso para que elas obtenham o máximo possível em matéria de indenização. Inclusive, serão designados advogados da defensoria publica para atenderam gratuitamente todas às famílias", lembrou. Esta matéria foi atualizada às 15h43 para acréscimo de informações.

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