Serra: Guarda Civil de S. Caetano é ''despreparada''

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atacou ontem a GCM de São Caetano do Sul no episódio da morte da adolescente, mas defendeu a ação da PM na tentativa de conter os protestos. "É uma barbaridade. Um evento lamentável, deflagrado por uma Guarda Civil despreparada para enfrentar situações como esta, que entrou atirando numa favela", criticou o governador.

SILVIA AMORIM, MÔNICA CARDOSO e MARCELO GODOY, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

Serra lamentou a morte de Ana Cristina e garantiu que a situação está sob "controle". Ele atribuiu as depredações ocorridas durante as manifestações à "ação de vândalos". "O direito de protesto é algo que defendemos, é um direito constitucional. Agora vandalismo é outra coisa. A polícia tem de atuar", afirmou. Segundo a PM, pelo menos três ônibus foram queimados e dois micro-ônibus e quatro carros acabaram depredados.

O secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, reforçou as críticas à GCM. Segundo ele, os guardas-civis não são preparados para a realização de abordagens e de perseguições. "Além disso, a abordagem de suspeitos está fora de suas atribuições, pois eles não têm poder de polícia." As Guardas Civis, disse o secretário, são destinadas à proteção do patrimônio público municipal.

O principal suspeito de ter atirado na estudante Ana Cristina Macedo é o guarda-civil Edson Damião Estevam, de 43 anos. Ele foi expulso da Polícia Militar em 1997 por ter praticado ato sexual dentro do quartel do 6º Batalhão da PM, no ABC. Ele chegou a ser acusado na 2ª Auditoria Militar pelo crime, mas o processo foi suspenso com base na Lei 9.099, que permite o pagamento de cesta básica para os crime menos graves.

CONCURSO

Em nota, a Prefeitura de São Caetano do Sul informou que os três guardas prestaram concurso público em abril de 2002 e foram admitidos em julho de 2006. Para o sindicato de guardas-civis de São Caetano do Sul, Mauá e Ribeirão Pires (Singuardas), os policiais não estavam errados. "Em uma perseguição, o policial, seja militar, civil ou guarda civil, pode atravessar o município", diz o presidente, Milton Taveira. Os três envolvidos no caso foram afastados das ruas. A GCM abriu sindicância.

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