Serra inicia campanha com críticas a Lula

O candidato tucano ao governo paulista, o ex-prefeito José Serra, dedicou boa parte de seu primeiro dia de campanha ao debate nacional. Em um encontro onde recebeu o apoio do PPS à sua candidatura, Serra reservou um espaço significativo de seu discurso para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defender um sólido engajamento do governo paulista na discussão de questões federais.Apesar do tom adotado em seu discurso, Serra negou em entrevista que tenha a intenção de nacionalizar a eleição estadual. "Nós estamos debatendo São Paulo. A questão é que as propostas (para São Paulo) são pouco divulgadas", disse o ex-prefeito, em referência às notícias publicadas desde que seu nome foi confirmado para a disputa estadual. "Agora, São Paulo tem um peso nacional muito grande e as políticas nacionais têm um peso muito grande no Estado", explicou.Ao lado do candidato a vice-governador, deputado Alberto Goldman, e do candidato a senador, Guilherme Afif Domingos, Serra ressaltou que, caso seja eleito, irá se envolver de forma aprofundada com assuntos como políticas desenvolvimentistas, política externa, segurança e reforma política. Serra, cujo nome já é apontado como um possível candidato às eleições presidenciais de 2010, argumentou que as características de São Paulo fazem com que esse envolvimento seja obrigatório para quem comanda o governo estadual."Vamos ter uma presença ativa nessa matéria, porque temos a enorme responsabilidade de ser, de um lado, o Estado mais desenvolvido da federação. De outro, de onde o governo federal retira mais da metade de sua arrecadação", disse Serra, ao falar para uma platéia de representantes do PPS. Nas críticas ao governo federal, Serra voltou a falar sobre o desvio de recursos da área de saúde para o Bolsa Família. Apesar de ressaltar que é favorável ao programa de transferência de renda, o ex-prefeito de São Paulo atacou a retirada de dinheiro de uma área para a outra. "O governo federal está tirando, sugando recursos de todo esse sistema (da saúde)", disse, acrescentando que entidades filantrópicas que realizam atendimento médico em São Paulo, como a Beneficência Portuguesa e a Santa Casa de Misericórdia, estão "estranguladas" com a falta de recursos.Ainda no discurso, Serra afirmou que a educação será sua principal prioridade de longo prazo no governo estadual. De acordo com o tucano, uma das medidas que pretende aplicar é a contratação de dois professores por sala de aula no primeiro ano do ensino fundamental. Essa iniciativa, segundo ele, permitiria estimular a alfabetização. Para o curto prazo, Serra afirmou que as atenções serão voltadas às áreas de saúde e segurança. "A educação é a nossa prioridade de longo prazo. No curto prazo, é saúde e segurança", afirmou.Serra evitou comentar as declarações feitas ontem pelo senador Aloizio Mercadante, que disputa a eleição estadual pelo PT. Ao comentar as afirmações de Serra em Americana, Mercadante alfinetou seu adversário afirmando que, se ele ainda tem interesse em ser candidato à Presidência, deve tentar convencer seu partido. "Ele está sem assunto e eu não vou contribuir para a falta de assunto dele", disse Serra.

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