Serra liga pane no Metrô a 'interesses eleitorais'

Candidato citou 'intuição' ao afirmar que foi 'provocada' a paralisação de uma das linhas do sistema, fato que afetou 250 mil usuários e provocou tumultos

Daiene Cardoso e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, sugeriu ontem que a falha na Linha 3 - Vermelha do Metrô de São Paulo, na manhã de anteontem, tenha sido provocada com "interesses eleitorais".

"Nessa véspera de eleição, acidentes (no Metrô) estão se multiplicando. É muito estranho, não corresponde a média do ano, mas eu não tenho dúvidas de que há interesses eleitorais nisso", disse o candidato, após evento organizado por entidades filantrópicas da área da saúde, na Zona Norte da capital paulista.

Até o momento, no entanto, o governo de São Paulo investiga o caso e ainda não há nenhuma informação conclusiva. A falha afetou 250 mil usuários e os vidros de 17 trens foram quebrados.

A versão oficial, mantida hoje, afirma que a paralisação foi causada por uma blusa que impediu o fechamento da porta de um trem. O evento gerou um efeito cascata, a partir do acionamento de um botão de emergência das composições. Assim, os passageiros começaram a seguir a pé pela passarela de emergência da via até outras estações.

Sem entrar em detalhes sobre os motivos da paralisação, Serra, que foi de metrô até o evento, disse apenas que a porta não fechou e que, por segurança, o sistema parou. "O que houve ontem foi um acidente. Na minha intuição, provocado", disse o candidato, frisando, no entanto, não ter provas que comprovem sua teoria.

Ao discursar, já no evento, Serra criticou a falta de verbas para transporte público no País. "Na presidência, vou organizar os processos (de licitação de obras) para ter 400 km a mais de Metrô no País", afirmou.

Na contramão de Serra, o candidato tucano ao governo paulista, Geraldo Alckmin, negou motivação política na falha. "Vamos aguardar as investigações", disse ontem, após caminhada em São Bernardo do Campo.

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