Serra mais crítico pós Copa

Realizadas na sequência do programa partidário do PT, as recentes pesquisas registrando crescimento significativo da candidata Dilma Rousseff atestam a capacidade de transferência de votos do presidente Lula para sua candidata e apontam para um ajuste na estratégia de campanha de José Serra.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

Nada que o candidato do PSDB já não tivesse em mente, como preservar o presidente da República de ataques diretos, porém imprimindo um tom mais crítico aos erros de governo, na esteira das afirmações sucessivas de Lula e Dilma que a colocam como uma cogovernante. "Não há programa neste governo que não tenha a minha mão", disse a candidata, avalizada por Lula: "Meu governo não teria chegado aonde chegou não fosse a Dilma".

O estilo light de Serra não muda, mas há o que explorar sem pôr em risco a determinação de não polarizar a eleição com Lula.

Do Plano Nacional dos Direitos humanos a obras inconclusas do PAC, passando pela segurança pública, saúde e educação, o PSDB acha que há munição suficiente para contestar a capacidade gestora de Dilma.

Serra considera esta fase da campanha mais voltada ao jogo de bastidores, hora de selar os palanques estaduais, desafio em que tem se saído melhor que o PT.

Em agosto, a campanha tucana inicia uma fase mais "quente", conjugando críticas com um discurso propositivo e com o nome do seu vice já definido.

Na festa do avalista

A presença de Dilma Rousseff em Nova York, na homenagem a Henrique Meirelles - de quem divergiu todo o tempo em que esteve no governo -, deve-se a um dado objetivo: Meirelles é a sua Carta aos Brasileiros, a garantia que transmite ao mercado de que não promoverá surpresas.

Ausência pensada

Serra preferiu não ir, mesmo contra a opinião de aliados. Não é propriamente admirador da política de Meirelles no Banco Central, o que não esconde de ninguém. Mas não teme que suas críticas ao Banco Central imponham demonstrações de equilíbrio ao mercado.

O anfitrião de hoje

Dilma tem como guia junto à chamada comunidade financeira internacional outro ex-alvo de suas críticas, o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palloci, por sua vez ciceroneado no mesmo contexto, no início do governo Lula, por intermediários de Pedro Malan, entre os quais, Murilo Portugal. Palocci seria, depois disso, vítima do "fogo amigo" do PT durante toda a sua gestão na Fazenda, onde sua política econômica chegou a ser classificada por Dilma como "rudimentar".

Reversão nas bases

Como resultado do crescimento de Dilma nas pesquisas, começa a ser percebido nas bases de Aécio Neves, em Minas, uma mudança de posição em relação à sua composição na chapa com José Serra. Antes incondicionalmente fechadas com a estratégia do ex-governador, de concorrer ao Senado, algumas lideranças começam a se preocupar com o cenário presidencial. "Quando penso em Minas, prefiro Aécio no Senado, mas se penso no Brasil, reconheço que o Serra precisa de um reforço", sintetiza uma dessas lideranças.

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