Serra manda carta a Lula cobrando providências para aeroportos

Segundo governador, sociedade tem o direito de exigir o fim de fatores que geram os riscos de acidentes

Ricardo Brandt e Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), endereçou ontem um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando providências capazes de garantir a segurança do tráfego aéreo no País. Segundo o governador, ''''a sociedade como um todo tem o direito de exigir que a Anac e a Infraero, sob a orientação do presidente da República, realizem o que lhes compete e com a urgência que é imposta pela natureza dos interesses confiados à sua presença''''. A cobrança do governador, que teve o apoio do prefeito Gilberto Kassab (DEM), foi feita por meio de um ofício especial enviado à Presidência da República. O texto afirma que, independentemente do resultado da apuração das causas do acidente com o avião da TAM, ''''é necessário que a Anac e a Infraero cuidem de eliminar a presença, no sistema de transporte aéreo brasileiro, de fatores estruturais que geram riscos enormes, inclusive queda de aeronaves''''. Pelo tom do documento, o acidente em São Paulo não deve ser visto como um fato isolado. Ele estaria relacionado à falta de planejamento para organizar o sistema. ''''Todo sistema de transporte, para ser digno desse nome, deve ser administrado de modo racional e com planejamento técnico, orientado para a sensível diminuição de fatores de infortúnio.'''' Em termos práticos, o governador e o prefeito afirmam ser necessária a redução imediata do tráfego de Congonhas, além da construção de mais uma pista e um terminal de passageiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos para atender à demanda. ''''É sabido que o Aeroporto de Congonhas é circundado por grandes avenidas - as mais movimentadas de São Paulo - e suas pistas não possuem áreas de escape, o que aumenta muito o risco e a proporção de eventuais acidentes na sua operação. Exatamente por isso, é imprudente sua utilização abusiva, superior à capacidade que apresenta'''', diz o texto. Antes da divulgação do ofício à Presidência, o governador já tinha elevado o tom de suas críticas durante uma entrevista coletiva. Na ocasião, ele disse que o interesse público, na questão aérea, tem ficado em segundo plano. ''''No caso de Congonhas, é preciso vencer os interesses puramente comerciais que têm norteado gastos com operação e investimentos nesse e em outros aeroportos.'''' Serra criticou as empresas aéreas. ''''Não conheço companhia aérea cuja finalidade não seja o lucro. Elas não são companhias filantrópicas. A maximização do lucro leva à hiperconcentração em Congonhas.'''' Para Serra, o governo deveria contrabalançar esses interesses. ''''Não sou contra o interesse privado, mas o poder público tem de ser contracíclico e não pró-cíclico, e isso não aconteceu nos últimos tempos.'''' Na opinião do governador, os gastos nas obras de Congonhas teriam sido mais bem aplicados se fossem usados na ampliação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas. ''''Ele tem excelentes condições climáticas e de localização'''', afirmou. O governador enfatizou também na coletiva que os dois principais problemas de Congonhas são falta de área de escape e a operação acima do limite. ''''A área de escape existente é a de movimentadas avenidas. Um acidente como o da TAM em Guarulhos não teria a mesma proporção, porque a pista de lá tem 4 mil metros e tem área de escape.'''' Ele defendeu o fim dos horários de pico em Congonhas. ''''Chegamos a ter até 48 pousos e decolagens por hora nos horários de pico. É um índice elevadíssimo.'''' Para o governador, é preciso redistribuir o volume dos vôos ao longo do dia. Serra afirmou que é necessário fazer uma revisão dos critérios de peso das aeronaves. ''''O presidente da TAM disse que a aeronave está dentro do peso. É preciso revisar o nível de peso a ser admitido em face dos riscos que isso representa num aeroporto urbano.'''' O governador desconsiderou a criação de outro aeroporto em São Paulo. Para ele, a saída será redirecionar os vôos para Cumbica e Viracopos. Segundo Serra, o Estado está disposto a cobrir a demanda de transporte que representaria essas mudanças. ''''É preferível ceder em aspectos que envolvem conforto ou proximidade do aeroporto dos centros em nome da defesa das vidas, não só dos passageiros, mas também da dos não-passageiros'''', disse. ''''No caso de Guarulhos, estamos com o projeto do trem expresso, mas há investimentos federais que são essenciais'''', referindo-se à construção da terceira pista de Cumbica.

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