Serra ocupa horário do DEM na televisão

Tucano aparece discursando em evento promovido pelo DEM, PSDB e PPS, realizado dia 10 de abril, quando ele foi lançado à sucessão de Lula

Eugênia Lopes, Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

Na tela. Durante o programa, Serra apresentou propostas para meio ambiente e seguranaça

 

    BRASÍLIA

O DEM dedicou ontem à noite seu programa partidário inteiramente ao pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Sem mencionar o partido de Serra e com o logotipo do DEM ao fundo, uma forma de disfarçar campanha eleitoral fora de época, o tucano aparece discursando no Encontro Nacional de Partidos (DEM/PSDB/PPS).

Nesse evento, realizado no dia 10 de abril, Serra foi lançado à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano até citou o slogan de sua campanha: "O Brasil pode mais".

Ao contrário do programa do PT, que há duas semanas comparou o atual governo e sua candidata Dilma Rousseff com a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Serra, o programa do DEM evitou falar da ex-ministra e de Lula. Coube ao líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), tecer a única crítica direta ao atual governo.

"A maior riqueza do Brasil é o povo brasileiro. Gente pacífica, de coração generoso, onde cabe todo o tipo de sentimento, mas não o ódio. Por isso, é triste ver o governo do PT usar o seu espaço de propaganda para semear a discórdia entre irmãos", disse Agripino. "O truque pode até funcionar como marketing político, mas não vai fazer do Brasil, sem sombra de dúvida, um país melhor."

Em seguida à fala de Agripino, Serra aparece no papel de conciliador. "Um governo deve procurar sempre unir a Nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobre contra ricos, ou de ricos contra pobres. O Brasil é um todo. Não aceito o raciocínio do nós contra eles", disse o tucano, no discurso de lançamento de sua pré-candidatura. "Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão."

Ao longo dos dez minutos, o DEM identifica a estrela do programa apenas de "Serra", tendo como legenda o "Encontro Nacional de Partidos - DEM/PSDB/PPS". Todas as cenas e falas de Serra são do encontro que reuniu os três partidos. Com essas precauções, o DEM espera evitar ser punido pela Justiça Eleitoral, com a perda do programa partidário de 2011. Ao usar seu programa para fazer campanha para Dilma, o PT foi punido com a perda de seu programa partidário do ano que vem.

Serra foi tratado durante o programa como estadista, com propostas para meio ambiente, segurança e Justiça. De olho no apoio da pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, em um eventual segundo turno eleitoral, o tucano se comprometendo a tratar "com mais seriedade a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável". Também promete "mais emprego, mais educação, mais segurança, mais saúde" para a população.

Ajuda. Sucessor de Serra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), fez às vezes de apresentador em trechos do programa para enumerar obras realizadas com "a ajuda do governo do Estado". Além da construção de "dois novos hospitais" e da distribuição de "medicamentos de graça para quem mais precisa", Kassab citou a criação de 11 escolas técnicas por todo o Estado.

O Rodoanel, uma das obras mais importante da gestão de Serra à frente do governo de São Paulo, teve papel de destaque no programa do DEM. Foram apresentadas imagens da obra com depoimentos de operários que trabalharam na construção da rodovia que interliga dez estradas estaduais e federais.

Também ganhou destaque o fato de Serra, como parlamentar, ter sido o autor da emenda constitucional que criou o Fundo de Amparo ao Trabalho (FAT) que, segundo o próprio tucano, "permitiu criar o seguro desemprego que beneficia sete milhões de trabalhadores". O programa do DEM termina com a fala de encerramento de Serra no encontro de partidos. "Juntos vamos construir o Brasil que nós queremos: um Brasil mais justo, um Brasil mais generoso. Olhando para frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, e com a esperança no nosso futuro. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais, o Brasil conquistará mais."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.