Serra promete ser ''presidente da produção''

Na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul, tucano afirmou querer o desenvolvimento sustentável para o País

Sandra Hahn / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2010 | 00h00

Prometendo ser o "presidente da produção", caso vença as eleições, Serra defendeu ontem um plano nacional de desenvolvimento regional e considerou que o Rio Grande do Sul foi "a principal vítima de uma política macroeconômica inadequada", numa referência à taxa de juros e seus efeitos sobre o câmbio.

"Do ponto de vista do Brasil, o que eu quero é o desenvolvimento sustentável", disse o tucano ao público empresarial da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). "Se eu for presidente da República, vou ser o presidente da produção."

Na área política, Serra pediu esforço ao PSDB do Estado para compor aliança com o PP. "Não em nome de minha candidatura, mas em nome de fortalecer as alianças políticas que temos no Brasil para disputar a eleição."

As negociações entre as duas legendas esbarraram na exigência do PP de coligar tanto na majoritária como na proporcional. Os tucanos consideram a aliança proporcional um risco à preservação de suas bancadas federal e estadual.

Serra elogiou o PP gaúcho, que tem, segundo ele, "qualidade especial", mas evitou avaliar se a composição deveria ser realizada também na chapa proporcional. "Deve-se fazer o máximo empenho no sentido dessa aliança."

Questionado sobre a possibilidade de uma ruptura no Estado inviabilizar a aliança nacional entre os dois partidos, Serra respondeu que acredita em acordo no Estado e que as coisas "caminham bem" no plano federal.

O pré-candidato à Presidência também demonstrou interesse em contar com o PMDB e disse ter "afinidades" com o pré-candidato do partido ao governo gaúcho, José Fogaça.

Serra fez ainda referências a desigualdades regionais e aproveitou a proximidade geográfica do Rio Grande do Sul com os vizinhos para falar de Mercosul e comércio exterior. Comparando a situação do Mercosul com a da União Europeia, ponderou que no bloco do hemisfério norte "quem tem mais população e produto (PIB), o voto pesa mais". No Mercosul, comparou, os parceiros têm pesos iguais,

"Se a Venezuela materializar a entrada (no Mercosul), o que é uma insensatez, vai ter o mesmo voto do Brasil", disse, defendendo que o bloco se concentre em ser uma zona de livre comércio, sem indicar prazos para isso.

Candidato do futuro. Em entrevista a veículos de comunicação de Porto Alegre, Serra afirmou que não se considera nem como oposição, nem como situação em relação ao governo. "Eu me coloco como um candidato pro futuro", afirmou, ao responder sobre promessa feita para preservar programas do governo Lula e, ao mesmo tempo, se colocar como oposição.

"Política para mim não é Fla-Flu, não é Grêmio versus Internacional", disse, recorrendo a uma metáfora de rivalidades de clubes de futebol. O tucano cumpriu roteiro de dois dias no Estado, acompanhado pelo deputado Osmar Terra (PMDB-RS).

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