Serra quer ação conjunta entre Estados contra o crime

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou nesta terça-feira em entrevista no SPTV 1º Edição, da TV Globo, que planeja a organização de um gabinete de segurança para uma ação conjunta dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo contra o crime organizado. Segundo Serra, a decisão teria sido tomada durante reunião de que participou há duas semanas com os governadores dos três Estados: Sergio Cabral (RJ), Aécio Neves (MG) e Paulo Hartung (ES). O gabinete, ainda segundo o governador de São Paulo, se reunirá mensalmente "porque há circulação de criminosos, cargas roubadas, drogas" entre estes locais. Ele também se disse solidário com o governo do Rio. Serra negou também a necessidade de São Paulo de adotar a mesma postura que o Rio, que pediu o envio de uma força nacional de segurança ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para controlar a onda de violência que tomou conta do Estado. Mas considerou que a situação precisa ser avaliada "sempre". "Se vier a ser necessário a gente pede sim, sem dificuldade nenhuma".Forças de segurança no RioNesta terça-feira, Cabral pediu uma reunião ainda esta semana entre os três comandantes das Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica - e o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame. Ele quer que as Forças Armadas implementem um sistema de vigilância "extramuros" em suas unidades no Rio. A proposta foi feita pelo secretário de Segurança e permite o deslocamento de efetivo da polícia para outras regiões. O governador do Rio informou ainda que a Força Nacional de Segurança Pública deve começar a atuar no Estado ainda antes do carnaval. Cabral também defendeu o endurecimento do código penal brasileiro. "O bandido tem que saber que, ao matar um inocente, vai pagar mais caro por isso", afirmou o governador, sugerindo que o tema seja prioridade no Congresso. A presença de homens da força no Estado estava prevista para o período dos Jogos Pan-Americanos, de 13 a 29 de julho. Mas, depois da onda de violência, o governador decidiu pedir a antecipação de sua presença. AtaquesUma onda de ataques criminosos matou 19 pessoas no Rio, entre a madrugada e a manhã da quinta-feira, dia 28. Segundo autoridades, as ações foram lideradas por diferentes facções criminosas. Entre os mortos há nove civis, sete suspeitos de envolvimento nos ataques e dois policiais militares.A seguir, os principais ataques registrados no Rio:- Dois policiais militares são atacados na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, zona oeste. Um PM morre, outro fica ferido e um suspeito é morto- Criminosos disparam contra uma cabine da PM em Botafogo, na zona sul, matam uma vendedora ambulante, que trabalhava próximo aos policiais- Dois ônibus são incendiados na Avenida Brasil. Em um deles, não há feridos. No outro, sete passageiros morrem carbonizados - A Delegacia de Polícia de Campinho, na zona norte, é metralhada duas vezes em dias diferentes. Um homem que registrava queixa no local morre no primeiro ataque- A Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Grajaú, na zona norte, é metralhada- Um PM que estava parado em um veículo é morto- Três granadas são jogadas no quartel do Corpo de Bombeiros de Santa Teresa, na zona sul- A Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é alvejada - A Delegacia de Polícia da Cidade Nova, no centro, também é metralhadaColaborou Paulo BaraldiCom Reuters

Agencia Estado,

02 de janeiro de 2007 | 16h24

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