Serra quer ''chefe'' para Grande SP

Governador defende autoridade metropolitana para transportes

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2008 | 00h00

O governador José Serra (PSDB) defendeu a criação de uma autoridade metropolitana para combater o caos no trânsito da Grande São Paulo e de outras regiões metropolitanas do País. Em discurso na Conferência Internacional Urban Age, realizada ontem na Sala São Paulo, ele apontou o modelo americano de gestão, com representantes e orçamento para decidir sobre transporte, educação, segurança e saneamento de conglomerados urbanos, como o que deve ser implementado no Brasil. Serra também apontou a divisão dos tributos feita pelo governo federal e o atual sistema eleitoral como principais "fatores negativos" que impedem investimentos nas grandes cidades. "Em São Paulo, o problema central é de governabilidade. No Brasil, não existe instrumento metropolitano de gestão. Eu defendo a autoridade metropolitana dos transportes, que não seja do governo do Estado nem das Prefeituras. Uma autoridade da qual o governo do Estado e as prefeituras participem, mas que tenha poder decisório, e inclusive orçamento, e isso implica mexer na Constituição", disse Serra, que cobrou "vontade política" de parlamentares e do presidente Lula para viabilizar a proposta. Serra explicou à platéia, formada principalmente por sociólogos, arquitetos e urbanistas estrangeiros, que o atual modelo tributário faz com que o governo federal arrecade muito das grandes cidades e repasse baixas quantias a esses municípios. "O caso da capital é especialmente dramático: de cada US$ 10 que um paulistano paga de imposto, US$ 1,5 fica com a Prefeitura, US$ 2, com o governo estadual e US$ 6, com o governo federal." Serra defendeu investimentos em transportes e declarou que vai priorizar os meios coletivos, aumentando a capacidade do metrô e ampliando o sistema de corredores de ônibus na Grande São Paulo.Serra apontou o sistema eleitoral como um fator que dificulta a gestão. Citando São Paulo, disse que o atual modelo faz com que a capital, apesar de contar com metade do eleitorado, fique apenas com um quarto dos deputados da Assembléia. CIDADE LIMPAIgnorado nas mesas de debate do Urban Age, o projeto Cidade Limpa foi levantado por Serra. "É um programa inédito e que pode ser importado por outros países", avaliou. Entre os projetos, os mais disputados foram sobre a segurança, queda na criminalidade e inclusão social. Experiências de São Paulo, Rio e Medellín, na Colômbia, foram os que mais receberam análises e elogios."No Rio, me impressionou a informalidade da participação do material humano local, num projeto flexível, aberto e, portanto, mais includente", disse o professor de Sociologia da London School of Economics and Political Science e New York University Richard Sennet sobre a formação de poupança própria na favela Dona Marta, que garantiu a reconstrução a longo prazo e baixo custo de barracos, hoje de alvenaria, sem verba.

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