Serra reduz imposto do setor têxtil e ataca Lula

Serra reduz imposto do setor têxtil e ataca Lula

Medida foi tomada a dois dias da saída do cargo para concorrer à Presidência

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

O governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), anunciou ontem redução de impostos para a indústria têxtil paulista com críticas às políticas macroeconômica e de competitividade externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Serra, o "Brasil não se defende tanto quanto seria necessário" de países como a China e a Coreia. A dois dias de anunciar oficialmente sua postulação ao Planalto, o tucano assinou decreto que diminui temporariamente ? até março de 2011 ? a alíquota do Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) de 12% para 7% para o setor têxtil no Estado.

A medida visa a melhorar a competitividade frente aos produtos chineses e coreanos. Serra comparou a política do seu governo para enfrentar o problema à conduzida em âmbito federal, porém sem mencionar explicitamente o governo Lula.

"É um alívio, é um incentivo", afirmou, elogiando a atitude paulista. "Resolve todos os problemas? Não. Há vários outros de carga tributária e de concorrência externa com práticas desleais que são praticadas pelos países do Sudeste Asiático, como China e Coreia. E o Brasil ainda não se defende tanto quanto seria necessário", prosseguiu, seguido de aplausos.

Para uma plateia formada por representantes de sindicatos e empregadores, o tucano elogiou trabalhadores e empresários. "Estou convencido de que trabalhadores e empresários brasileiros são muito eficientes. Mais que os chineses."

Ele classificou a desigualdade de concorrência com os asiáticos como "problema crucial" e defendeu mudanças macroeconômicas. Mas não disse quais seriam. "Os problemas que nós temos de competitividade decorrem de problemas macroeconômicos", disse. "Temos que ir criando as condições no nosso Estado e no nosso País que permitam padrões justos de competitividade."

Metáfora. Para explicar o que seria essa atuação insuficiente do governo federal no combate ao problema, Serra recorreu a uma metáfora. "Eu não posso ir a uma corrida onde o adversário está com tênis novinho e bem amarrado e eu com o tênis desamarrado. Não dá", comparou. "Temos que amarrar esse tênis da competitividade no Brasil."

Depois, em entrevista, o tucano amenizou a crítica: "O Brasil não consegue se defender à altura, apesar das intenções corretas do governo nessa direção." A redução da carga tributária anunciada ontem poderá beneficiar 13.500 empresas que empregam cerca de 200 mil trabalhadores.

Serra cumpriu ontem extensa agenda com vistoria de obras ? como as da linha 4 do Metrô ? e entrega de escola técnica e assinaturas de convênios com universidades. Na Estação Paulista, fechada ao público, Serra assistiu a uma apresentação de bailarinos e chegou a dançar com funcionários da empresa. Hoje ele inaugurará o trecho sul do Rodoanel. / COLABORARAM ROBERTO ALMEIDA E CAROLINA FREITAS

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