Serra responsabiliza Dilma por fabricação de dossiê contra ele

O pré-candidato tucano à Presidência comentou ontem publicamente, pela primeira vez desde a publicação de reportagem na revista 'Veja', no fim de semana, suposta ação petista com denúncias contra ele que teria o objetivo de atingir sua filha Verônica

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

De olho. Ao lado de Alckmin, Serra observa a marca de 500 bilhões em impostos na fachada da Associação Comercial de SP      

 

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, responsabilizou ontem a adversária Dilma Rousseff (PT) pela fabricação de suposto dossiê contendo denúncias que atingiriam o tucano.

Veja também:

https://politica.estadao.com.br/estadao/novo/img/icones/mais_azul.gif Tucano cobra Dilma por 'equipe de arapongas'

 

"A principal responsabilidade por esse novo dossiê é da candidata Dilma Rousseff. Disso eu não tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini", disse ontem o tucano.

Serra comentou o episódio publicamente pela primeira vez, durante visita à Associação Comercial de São Paulo. No final de semana, reportagem da revista Veja relatou que um grupo dentro da campanha petista teria ensaiado a produção de um dossiê para atingir Serra. O alvo principal da suposta ação petista seria a filha do tucano, Verônica.

Serra citou ainda casos de eleições passadas, quando houve guerra de dossiês nos bastidores. Falou especificamente de 2006, quando um grupo de petistas, alguns ligados a Mercadante, que disputava à época o governo paulista, tentou comprar um dossiê com supostas irregularidades envolvendo a administração tucana em São Paulo. Os envolvidos chegaram a ser chamados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "aloprados".

O tucano também mencionou o pleito de 2002, quando teria sido formado um "bunker" com integrantes do PT com o objetivo de colher denúncias e informações contra os adversários. O ex-presidente petista Ricardo Berzoini faria parte desse grupo.

Contra-ataque. Em reunião no Instituto Fernando Henrique Cardoso ontem, os tucanos afirmaram ser necessário partir para o contra-ataque. Concluíram que o caso não deve ficar sem uma resposta contundente do PSDB . A ideia é relacionar diretamente o episódio à pré-candidata Dilma e à campanha petista.

"Vamos para a briga", afirmou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, coordenador da campanha de Serra. Também presente ao encontro, o senador Tasso Jereissati (CE) disse que o caso, por ser grave, deveria ser tratado no âmbito do Senado Federal.

"Vamos ouvir Serra e ver se levamos adiante no Senado. Temos que ir a fundo, chamar Lanzetta, aloprados", afirmou Jereissati, ao citar o jornalista Luiz Lanzetta, que teria montado o suposto grupo de inteligência para organizar o dossiê.

Os tucanos tentam colar em Dilma a autoria da produção do suposto documento relembrando o caso do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente FHC e de sua mulher Ruth Cardoso. O documento, que mostraria gastos pessoais irregulares na administração anterior, teria sido elaborado pela Casa Civil, quando Dilma era ministra.

"O PT introduziu o crime na campanha. Já fizeram o dossiê dos aloprados em 2006, um dossiê contra Ruth Cardoso e agora vem mais um. E a dona Dilma? Ela tem que se pronunciar. Não pode ficar fazendo cara de paisagem", disse Guerra em Brasília, pouco antes de embarcar para São Paulo para participar da reunião com FHC. O senador classificou a ação de "vergonhosa, indecente e coisa de gente safada".

O DEM, principal aliado do PSDB em âmbito nacional, também condenou o fato de que um grupo dentro da campanha da petista estaria ensaiando a produção do documento contra Serra.

No plenário do Senado, o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes, subiu à tribuna para cobrar o esclarecimento da denúncia. "A montagem desse escritório, dessa fortaleza na QI 5 em Brasília, precisa ser melhor esclarecida pelos que fazem o comitê de campanha da candidata. Vá lá que seja uma briga de grupos, não importa. O que está em questão é a metodologia usada, o que está em questão é a falta de ética, é a falta de escrúpulo e a maneira como começam a conduzir uma campanha que nem sequer começou", disse o senador, em referência à casa onde se reuniria o grupo para coletar as informações contra os tucanos.

Fortes também disse ser "inaceitável" que a campanha petista esteja fazendo "espionagem" e "bisbilhotagem". "É o jogo sujo, é o jogo sujo que começa quando nem sequer foi iniciado o primeiro tempo desse jogo", afirmou. "Anotem o que digo hoje: o bunker da QI 5 é apenas o começo, é apenas o início de uma série de escândalos. É aguardar para ver."/ COLABORARAM ANA PAULA SCINOCCA E CAROL PIRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.