Serra sugere medidas e não prevê terceiro aeroporto em São Paulo

Governador defende construção de trens rápidos para Cumbica e Viracopos, além de transferência de vôos

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

Uma série de medidas sugeridas ontem pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, será analisada pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) na segunda-feira, em Brasília. As propostas, segundo Serra, têm o objetivo de diminuir o fluxo de passageiros e operações no Aeroporto de Congonhas e amenizar a crise aérea. "Encaminhei nove tópicos que resumem os pontos fundamentais a curto prazo para diminuir os problemas", disse, após reunião de duas horas com o ministro e empresários no Palácio dos Bandeirantes. Com carta branca do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agir, Nelson Jobim afirmou que há coincidências de linhas entre as propostas feitas por Serra e o que o governo federal estuda fazer. As principais são a ampliação do terminal de passageiros de Cumbica e a construção da terceira pista, além da transferência de vôos para o Aeroporto de Viracopos, na região de Campinas. Cumbica e Viracopos poderiam receber parte dos 7 milhões de passageiros/ano excedentes de Congonhas, cuja capacidade é de 11 milhões passageiros/ano e recebe hoje 18 milhões. Como parte desse excedente é formada pela aviação geral (jatos comerciais e pequenos aviões), hoje centrada em Congonhas, foi pedida a transferência do maior número possível dessas operações para os aeroportos estaduais de Jundiaí, Guarujá, São José dos Campos e Sorocaba. O Aeroporto do Campo de Marte é descartado pela administração estadual por sua localização urbana. TERCEIRO DESCARTADO Na reunião, que contou com o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, não foi discutida a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. "Discutimos agora soluções de curto prazo. A construção do terceiro aeroporto não está sendo discutida. A solução é a desconcentração do movimento em Congonhas", explicou o ministro. No mesmo tom, Serra disse que "um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo é um projeto de longuíssimo prazo". O governador destacou que é preciso construir o Expresso Aeroporto, um trem rápido entre o Cumbica e a capital, além de outro que passaria por Guarulhos. "Só a construção da terceira pista (em Cumbica) não adianta." A obra, orçada em R$ 3,4 bilhões, teria a participação da iniciativa privada e poderia ser entregue em 2010. Seria R$ 1,5 bilhão por conta do Estado, R$ 1,3 bilhão da iniciativa privada e R$ 580 milhões da União. A construção do trem rápido entre São Paulo e Campinas, o Expresso Bandeirantes, é outra opção para facilitar a ida para Viracopos e também exigiria uma parceria público-privada (PPP). Mas trata-se de proposta ainda embrionária. O projeto executivo desse trem, segundo Serra, está em estudo. Enquanto não sai do papel, a sugestão imediata é construir uma nova pista expressa rodoviária entre o aeroporto e a Rodovia dos Bandeirantes. E, se necessário no futuro, fazer o prolongamento até São Paulo, paralelamente à rodovia. "O Aeroporto de Viracopos é o que tem o maior potencial de expansão no Estado", disse Serra. SEGURANÇA Foi sugerida ainda a construção de áreas de escape nas cabeceiras da pista do aeroporto da zona sul da capital, "não para permitir ampliar o local ou intensificar o tráfego aéreo na região, mas para aumentar a segurança dos vôos que lá permanecem", diz o documento. Amigo antigo de Jobim - ambos já dividiram apartamento em Brasília e o governador é padrinho de casamento do ministro - Serra demonstrou ter esperança na ação efetiva do recém empossado ministro da Defesa. "Esperamos que ele possa reorganizar o setor aéreo a curto, médio e longo prazos; e que possa encontrar soluções de segurança, conforto e deslocamento para os passageiros", finalizou. "Nosso plano é fazer Congonhas voltar a ser aeroporto de vôos diretos, ponto-a-ponto, e usar a capacidade de Viracopos e também de Guarulhos", respondeu Jobim.

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