Serra tem 33% entre beneficiários de programas sociais, mostra Sensus

Na avaliação de especialistas, números mostram que eleitorado cativo de Lula não necessariamente vota na petista Dilma Rousseff

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

O tucano José Serra é o presidenciável preferido de um terço dos beneficiários de programas sociais do governo - grupo comumente apontado como eleitorado cativo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua candidata, Dilma Rousseff (PT).

Segundo a última pesquisa CNT/Sensus, dos entrevistados que dizem participar de programas como o Bolsa-Família e o Primeiro Emprego, 46% pretendem votar em Dilma e 33%, em Serra.

O fato de não haver alinhamento automático entre esse eleitorado - que chega a 17% do total - e a candidata oficial enseja duas leituras: ou Dilma tem potencial para crescer, ou está dando certo a estratégia de Serra de prometer "manter e aprofundar" o Bolsa-Família.

"Os atendidos por programas sociais formam um eleitorado cativo do presidente Lula, mas não necessariamente da candidata do PT", disse o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB). "A questão é quanto desses votos Lula conseguirá transferir. E isso ninguém sabe."

O cientista político Amaury de Souza, da empresa MCM Consultores, também identifica o grupo atendido por programas sociais como lulista, mas não necessariamente petista. "Há uma diferença abismal entre voto em Lula e voto no PT." Para Souza, os números mostram que Serra acerta "ao se recusar a desempenhar o papel de opositor", fugindo do roteiro do "nós contra eles" preconizado pelo presidente.

Como parte da estratégia de dar caráter plebiscitário às eleições e de transferir votos à sua candidata, Lula tem associado Dilma a programas que alimentam a popularidade do governo. Entre o eleitorado que aprova o desempenho do presidente, 43% se inclinam a votar pela petista, e 35% optam pelo tucano. Segundo o Sensus, 84% aprovam Lula.

Dilma não esgotou seu potencial de crescimento em outro possível "filão": o grupo que diz que o candidato indicado pelo presidente é o único em que votará. Nesse segmento, que abrange pouco mais de um quarto do eleitorado, a petista tem o voto de 71%. Por provável desinformação, porém, Serra é apontado como opção por 19%, e Marina Silva (PV), por 4%.

Confusão. Ricardo Guedes, diretor do instituto Sensus, afirma que é comum encontrar aparentes paradoxos nas escolhas dos eleitores. "Há sempre um grau de confusão e de incongruência. Mas também é verdade que uma parcela da população não descobriu que Dilma é candidata."

Uma mostra de que o eleitorado tem dificuldade de diferenciar os dois candidatos aparece em outro dado da pesquisa: 42% dos simpatizantes de Dilma admitem que poderiam votar em Serra, e 44% dos potenciais eleitores do tucano dizem que poderiam optar pela petista.

"O certo é que esta não é uma eleição definida", diz Ricardo Guedes. "Há tendência de continuidade, mas isso não significa que o caminho da candidata governista será fácil." Ele chama atenção para o fato de que 30% afirmam que os debates entre os candidatos serão importantes na definição do voto. O Sensus ouviu 2.000 pessoas entre 10 e 14 de maio.

Blog. José Roberto de Toledo analisa as pesquisas

"Dificilmente Dilma terá porcentual de voto tão alto entre as mulheres quanto entre os homens"

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