Serra: ''Todos seremos Francenildos''

Serra: ''Todos seremos Francenildos''

Tucano usa programa de TV para denunciar caso de violação de sigilo fiscal que atingiu sua filha e aliados e lembra devassa contra caseiro

Ivan Fávero, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, utilizou seu programa no horário eleitoral gratuito de TV de ontem a noite para denunciar os casos de violação de dados fiscais que atingiram sua filha e aliados políticos. O tucano mencionou o episódio do caseiro Francenildo Santos Costa e alertou para o perigo de se instalar no País um Estado que não respeita os direitos dos cidadãos.

"Lembra do Francenildo, aquele caseiro de Brasília, que teve seus extratos bancários violados pelo governo? Se continuar assim, todos nós seremos Francenildos à mercê de gente sem escrúpulos, sem limites. Não é isso que os brasileiros merecem", disse José Serra no programa.

Um entrevistado na rua apareceu no vídeo para reclamar: "As pessoas passam a não ter mais segurança jurídica dos seus dados que são protegidos por lei." Um outro classificou o caso como "total falta de ética".

A campanha televisiva de Serra procurou vincular o episódio da violação de dados fiscais a outras "baixarias" ocorridas em épocas de eleição. Relembrou também o caso de Lurian, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Miriam Cordeiro, que foi explorado por Fernando Collor de Mello nas eleições de 1989. "Lula e Collor disputam o segundo turno. A poucos dias da eleição, Collor apela e coloca até a filha de Lula na campanha. Uma baixaria", disse o locutor no programa do tucano .

Logo em seguida, o mesmo locutor diz: "Hoje Collor está com Dilma." Surgem então imagens atuais de Collor com o microfone em punho pedindo apoio para a candidata petista: "Não se esqueça desse nome, Dilma Rousseff presidenta. Número 13 na cabeça no próximo dia 3 de outubro."

O vídeo volta a comparar os dois casos. "A mesma baixaria contra a filha do Lula agora é usada contra a filha do Serra, para prejudicá-lo", afirma a voz do locutor.

O candidato dedicou boa parte do horário eleitoral na TV para defender a filha, Verônica, vítima de violação de sigilo fiscal. "Minha filha é mãe de três crianças pequenas, uma mulher honrada, que trabalha muito para manter a família. Ela nunca se meteu em política, nunca teve negócios com o governo", afirmou no programa.

Serra ainda salientou o fato de ele e sua família terem resistido a duas ditaduras. "Eu, minha mulher e meus filhos sofremos com duas ditaduras. No Brasil e no Chile", comentou. "Chegaram a apontar armas para a cabeça das crianças. Mas nós sobrevivemos para ajudar a instalar a democracia no Brasil."

Aloprados. Outro escândalo mencionado na propaganda tucana foi o episódio dos "aloprados": grupo de petistas que tentou comprar um falso dossiê contra Serra na campanha de 2006, quando o tucano disputava o governo do Estado contra o petista Aloizio Mercadante.

O programa terminou com Serra dizendo que sempre quis ser presidente do Brasil, que se preparou a vida inteira para o cargo, mas jamais "aceitaria ser presidente a qualquer preço". "Isso não é política", afirmou. "Isso é sujeira."

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