Serra 'toma conta' do programa do PTB na TV

Partido cede ao presidenciável tucano praticamente todo o seu tempo, usado com seu discurso na convenção trabalhista do domingo

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2010 | 00h00

Nos melhores dez minutos de seu dia ? marcado por debates sobre o vice e reavaliações da campanha ? o candidato tucano à Presidência, José Serra, foi apresentado ontem à noite como a grande estrela do programa eleitoral do PTB.

Serra ocupou sozinho mais de sete minutos com trechos de seu discurso na convenção dos trabalhistas no domingo passado. O presidente do partido, ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), contentou-se com outros dois.

Escolhido pelo PTB "porque sempre esteve ao lado dos trabalhadores", Serra foi anunciado como o criador do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), "que viabilizou o seguro desemprego" ? ao garantir o auxílio aos desempregados ?, "e o financiamento do pequeno agricultor, via Pronaf". Ele foi "o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve", prosseguiu o locutor, "e nunca teve medo da eleição nem do julgamento da população".

Estocadas. A primeira estocada na concorrente direta ? Dilma Rousseff, candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT ? veio já nas primeiras frases do apresentador. O candidato tucano, disse ele, "não chegou agora na política nem foi inventado". Um segundo ataque viria mais tarde, quando Roberto Jefferson ? que estava ao lado de Serra ? afirmou que Serra, nos anos 60, "enfrentou pela via legal a ditadura, foi punido e exilado". Uma comparação com Dilma, que naquela mesma época recorreu à luta armada, como militante de vários movimentos clandestinos.

Numa performance aparentemente destinada a uso no horário da TV, Serra falou com vigor, arriscou gestos de palanque e enumerou projetos que pretende levar adiante se for eleito. Começou abordando as virtudes do FAT, "que desde 1990 até agora beneficiou 50 milhões de brasileiros" e se tornou "a grande alavanca do desenvolvimento", pois 40% de seus recursos vão direto para o BNDES financiar os investimentos de empresas em todo o País.

Avisou que "os mutirões de saúde vão voltar" e prometeu criar o ProTec, uma espécie de "Pro-Uni do ensino técnico" com o qual pretende criar um milhão de vagas para os jovens aprenderem uma profissão. No final, Jefferson afirmou que "o PTB, nossa aliança e nosso País podem mais e vão ter mais".

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