Serra usa imagem de Lula e ataca Dilma na TV

Em horário nobre, candidato tucano aparece ao lado do presidente - descrito por ele como 'grande líder' - e afirma que 'falta vivência' à rival petista

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Cena. Serra com Lula em imagem usada no programa tucano        

 

 

 

 

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, usou ontem em seu programa eleitoral na TV a imagem de seu adversário nas eleições de 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As imagens dos dois lado a lado ocuparam os primeiros 5 segundos do tucano no horário nobre da TV.

O locutor os descreve como "líderes experientes" e "homens de história". Ao final, a voz emendou: "Serra, o mais preparado para comandar o País. A vivência que Dilma não tem."

Foi a primeira alfinetada da candidatura tucana em sua rival desde o início do programa eleitoral na TV, na terça-feira. Mais cedo, no rádio, Serra já havia intensificado os ataques à petista.

As peças publicitárias ironizavam as queixas de Dilma sobre o uso de uma voz semelhante a de Lula e, num jingle, insinuavam que ela se apropriava do que Lula fez. "Dona Dilma pega leve, que o povo tá reparando, tira a mão do trabalho do Lula, tá pegando mal", dizia a música.

Assim como nos primeiros programas na TV, Serra voltou ontem à noite a abordar temas relacionados à saúde. O presidenciável tucano falou mais uma vez sobre os remédios genérico, que ele carrega como marca de sua passagem pelo Ministério da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso.

Em outra passagem, que lembrou formato adotado na campanha petista para a Presidência e para o governo do Estado, em que os protagonistas falam sem olhar diretamente para a câmera, Serra reconhece que "teve medo (que os genéricos) não desse certo". "Mas aí você tem que enfrentar o medo", concluiu.

Além dos remédios, a propaganda enfatizou a redução de preço do coquetel antiaids, que o tucano também credita à sua atuação como ministro. Nessa passagem, o locutor apresentou o tucano "como o melhor ministro da Saúde que o País já teve" e listou mais uma vez as iniciativas em que foi responsável pela implementação no ministério e no governo de São Paulo. O presidenciável foi retratado como um estadista de coragem, que "peitou os grandes laboratórios".

Crack. Serra dedicou boa parte do programa de 7 minutos e 18 segundos para falar sobre as drogas. O candidato prometeu instituir uma política nacional de combate às drogas, com ênfase no crack. E fez críticas ao governo federal por não oferecer prevenção ou tratamento público aos dependentes químicos.

"Essa deve ser uma responsabilidade do presidente", assinalou. "Temos de ter clínicas de recuperação para dependentes de drogas, temos de ter uma rede em todo o Brasil, pôr o governo federal para apoiar essas clínicas, o que hoje não existe."

A exemplo de seus outros programas na TV, o tucano usou depoimentos de pessoas que se dizem beneficiadas pelos programas que capitaneou no Ministério da Saúde, na Prefeitura ou no governo de São Paulo. Ontem à noite, no entanto, dois médicos renomados deram seus depoimentos sobre as ações de Serra - o infectologista David Uip e o psiquiatra Ronaldo Laranjeiras.

Reprise. A campanha de Dilma Rousseff (PT) reprisou o programa de estreia, exibido às 13 horas de terça-feira. Nele, a candidata narra sua trajetória de vida, da infância em Belo Horizonte até chegar ao posto de ministra-chefe da Casa Civil. Lula também deu um depoimento e destacou o papel de Dilma em sua gestão.

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