Serra vê ''modelo petista se esgotando''

São 2 ou 3 escândalos por dia, diz tucano, que visitou o interior e fez um apelo para que os eleitores não deixem de votar no domingo

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2010 | 00h00

A oito dias do segundo turno, o candidato à Presidência José Serra (PSDB) e lideranças tucanas paulistas subiram o tom dos ataques ao PT, ao governo e à Dilma Rousseff. Ontem, em Araraquara (SP), Serra disse que o "modelo petista está se esgotando e os escândalos são dois ou três por dia", numa referência às novas denúncias contra membros do partido e do governo.

Serra evitou comentar o indiciamento de Gilberto Carvalho pela Justiça. O chefe de gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva foi acusado de participar de quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na Prefeitura de Santo André. O desvio dos cofres públicos, segundo a acusação, chegou a R$ 5,3 milhões.

Durante o discurso de cerca de 15 minutos, Serra criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das principais bandeiras do governo Lula e de da presidenciável petista. O tucano chamou o PAC de "uma listagem de obras que não existem" e ironizou as críticas feitas a ele de que iria acabar com o programa. "Como se alguém pudesse acabar com algo que não existe", disse.

O candidato tucano admitiu ainda que o fato de a eleição acontecer durante um feriado pode afastar os eleitores das urnas e pediu que eles adiem a viajem para após a votação. "Vote e depois vá, perca o feriado e ganhe um feliz Ano Novo".

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), participou do evento e engrossou o coro de protestos contra o presidente Lula. Disse que ele "não faz política com humildade" e que a "arrogância do presidente no primeiro turno acabou levando sua candidata para baixo". O governador eleito criticou também as declarações irônicas feitas por Lula contra Serra após o tumulto no Rio.

Alckmin disse que solidarizava com Serra "pela agressão sofrida" e afirmou ser "lamentável esse comportamento e mais lamentável ainda o comportamento do presidente da República, que deixa de ser chefe de Estado para zombar da lei, para brincar com coisa séria e indiretamente incitar a violência", completou.

Alckmin afirmou ainda que Lula deveria lembrar das palavras de Otávio Mangabeira, ex-governador e ex-senador baiano, morto em 1960. "Ele devia se lembrar do Mangabeira, que dizia que ninguém pode tudo, sobretudo, ninguém pode sempre", citou.

Apelo. Mais tarde, o presidenciável tucano esteve em Campinas e voltou a fazer um apelo para que os eleitores compareçam às urnas no próximo domingo. "Não deixem de votar, é muito importante, para decidir o futuro do Brasil, que rumo tomar", disse em um tumultuada conversa com jornalistas. Serra chegou com uma hora de atraso e participou de uma caminhada, de cerca de 30 minutos, pela Avenida Suaçuna, no região do Ouro Verde, um dos redutos petistas em Campinas.

Questionado sobre o rumo que a campanha eleitoral vem tomando nos últimos dias, Serra se defendeu e disse que quem está "puxando a campanha para baixo é o PT, a campanha da Dilma".

Sobre a ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos, que interessa tanto a cidade e é uma das bandeiras do governo Lula, Serra disse ser favorável a uma concessão para a implementação das obras necessárias no local. "O governo federal não se mexeu", criticou. Segundo ele, Viracopos, ao lado de Cumbica, em Guarulhos, poderá se tornar o maior e mais importante aeroporto paulista. "Pode até surgir um novo, mas isso seria para lá pra frente". / COLABOROU ROSE MARY DE SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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