Serra vê País tomado por um ''patrimonialismo selvagem''

Em reunião do diretório do PPS, em São Paulo, tucano fez duras críticas ao governo federal, sem citar Lula nem o PT

Carolina Freitas, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, criticou um "patrimonialismo selvagem" existente no País. Em reunião do Diretório Nacional do PPS, o ex-governador fez ontem duro discurso contra o governo federal, sem citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o PT.

Para Serra, quando o PSDB esteve no governo federal, diminuiu no País o patrimonialismo, definido por ele como "usar o governo como propriedade privada". "As práticas do patrimonialismo voltaram ao Brasil em sua plenitude, em tudo que tinha de pior", discursou Serra. "Estamos no momento mais patrimonialista da nossa história. Nem na República Velha, que era um regime oligárquico, tinha um patrimonialismo selvagem como o de hoje."

O tucano apontou ainda a existência de "bolchevismo sem utopia", que seria a ideologia de grupos que chegam ao poder e esquecem a ética em nome do partido.

Serra disse que o Brasil está batendo recordes da maior taxa de juros do mundo e da maior carga tributária entre países em desenvolvimento, além figurar entre os governos que menos investem. Ele destacou a importância de investimentos de prefeituras e governos estaduais na comparação com os feitos pela União. Além disso, lembrou que o Brasil investiu nos últimos anos um terço do nível registrado na economia dos anos 1970 e que São Paulo, durante a sua gestão, triplicou o volume de investimentos.

"A participação do governo federal (nos investimentos) é uma coisa pequena, quase insignificante, apesar de toda a onda", afirmou. Sem citar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o tucano disse que o governo conta autorizações para concessão de crédito de bancos de fomento e investimentos privados como se fossem dinheiro do governo. "É o New Brazilian Way of Privatization", ironizou.

As declarações foram feitas no encontro realizado pelo PPS, em São Paulo, para entregar propostas de governo ao presidenciável.

Vice. Serra afirmou não estar aflito com a indefinição sobre o nome do vice em sua chapa para as eleições de outubro. "É só a imprensa que está aflita com isso", afirmou à noite, em entrevista coletiva após participar do encontro no diretório do PPS. "Eu não estou. Pode olhar para mim e ver se estou aflito com alguma coisa. Não é uma questão que me angustia. Vamos ter uma boa solução."

Serra, que no início do ano havia previsto a definição do vice para maio, procurou reduzir a importância da indicação de um nome agora. "Não foi adiada (a definição). Não dá para marcar datas. É um processo", afirmou.

Serra evitou comentar a foto, em painel atrás da mesa do evento, com o presidente do PPS, Roberto Freire, apertando a mão do ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB), e Serra sorrindo entre os dois. "Só vi a foto agora", despistou, sem falar da possibilidade de o mineiro compor a chapa presidencial como vice.

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