Serra volta a atacar projeto do trem-bala

Candidato insinuou que obra será construída com recursos públicos

Alfredo Junqueira / Rio, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2010 | 00h00

A construção do trem-bala entre as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas virou alvo de ataques do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que ontem teve compromissos de campanha na capital fluminense. Para o tucano, é provável que o projeto venha a precisar de grande volume de recursos públicos durante sua implantação.

Segundo o presidenciável, o dinheiro que será investido na obra - orçada atualmente em R$ 33,1 bilhões - é suficiente para tocar outras iniciativas de infraestrutura de transportes mais prioritárias. Ainda de acordo com o candidato, a perspectiva de que o projeto tenha apenas recursos privados não deve se confirmar. Ele argumentou que parte dos recursos será subsidiada pelo BNDES, "sem garantias adequadas". "O que, na prática, é dinheiro público."

"Eles dizem que é tudo dinheiro privado. Vamos ver se é verdade", acrescentou Serra, logo após participar de uma entrevista na Rádio Tupi, no centro do Rio. "Com o dinheiro do trem-bala dá para triplicar o metrô do Rio, fazer o Arco Rodoviário, fazer grande parte das obras de estradas para a Copa do Mundo e para a Olimpíada, concluir a Ferrovia Norte-Sul, completar a Transnordestina e melhorar o sistema de metrô em Belo Horizonte, Salvador, Recife e Fortaleza", afirmou o candidato.

Marketing. O trem-bala também serviu para Serra voltar a criticar sua principal adversária na disputa à Presidência. Enaltecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento do edital de licitação, a petista Dilma Rousseff foi chamada de "produto de marketing" quando o tucano deu sua opinião sobre o uso da máquina do governo federal em favor da candidatura da concorrente.

"Ela precisa ser constantemente turbinada pela máquina do governo, pelos marqueteiros. A verdadeira Dilma não está aparecendo nessa campanha. O que está aparecendo é o produto de uma construção, da qual faz parte a máquina do governo", acusou Serra.

Diplomacia. À tarde, o tucano participou de encontro com o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, em um hotel na zona sul do Rio. Depois de uma hora de conversa, os dois participaram de entrevista coletiva em que o tucano aproveitou para voltar a fazer críticas ao governo federal.

Dessa vez, o alvo foi a política externa. Serra afirmou que fracassou a tentativa da diplomacia brasileira de intermediar um acordo com o Irã, a fim de interromper o programa nuclear iraniano, e disse que o País errou ao reconhecer a China como uma economia de mercado.

Desleais. "Isso tem inibido o Brasil de adotar medidas de defesa contra práticas desleais dos chineses no comércio internacional. Nós fizemos uma concessão que não teve como contrapartida benefícios para o nosso país", disse o presidenciável tucano.

Serra afirmou ainda que, apesar do Brasil ter avançado em termos de "presença política", o País ainda precisa crescer em "presença econômica".

Agenda

Dilma Rousseff (PT)

A candidata cumpre agenda no Rio de Janeiro. Ela participa no final da tarde de caminhada da Candelária à Cinelândia, e depois de comício

José Serra (PSDB)

O candidato tucano estará em Caruaru (PE), onde visita, a partir das 15h30, o Marco Zero da cidade e o comércio local. Às 18 horas deve chegar em Gravatá (PE) para visitar o Polo Moveleiro no comércio da cidade e, em seguida, a Igreja de Santana, onde acontece o Festival Virtuosi Gravatá

Marina Silva (PV)

Cumpre agenda em Goiânia (GO). Às 8 horas, concede entrevista para uma emissora de rádio local. Em seguida, visita as instalações da Rede Globo e da CBN. Às 10 horas, faz caminhada pelo centro da cidade acompanhada por militantes do PV. E às 15 horas inaugura mais um comitê familiar, também chamado de Casa de Marina

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