Serristas entrarão com ação por tumulto no Rio

Coligação entrará com representação na Procuradoria-Geral da República pedindo investigação e punição dos responsáveis

Julia Duailibi e Gabriela Moreira / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2010 | 00h00

A coligação do presidenciável tucano José Serra anunciou ontem que entrará com uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo a investigação e a punição dos responsáveis pelo tumulto ocorrido na caminhada da última quarta-feira, em Campo Grande, no Rio de Janeiro.

A representação assinada pelos advogados da coligação O Brasil Pode Mais pede "apuração de infração penal de diversas pessoas qualificadas como militantes do PT". Citam especificamente José Ribamar de Lima, diretor do Sindicato de Agentes de Combate às Endemias, e Sandro Alex de Oliveira Cezar, conhecido como "Sandro Mata-Mosquito".

"Nos moldes de uma SA hitlerista (polícia nazista), a turba de militantes partiu para cima daqueles que acompanhavam José Serra, praticando agressões inclusive contra o candidato, que foi atingido por um objeto arremessado contra sua cabeça", diz a representação dos tucanos.

Durante o evento de campanha, Serra foi atingido na cabeça por um objeto semelhante a uma bobina de adesivos. Imagens de TV, no entanto, mostraram cenas anteriores à agressão, quando também foi jogada no candidato uma bolinha de papel. A campanha de Dilma usou apenas imagens da bolinha nos programas do horário eleitoral gratuito. Tanto a candidata quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizaram a agressão.

Ao anunciar a medida, integrantes da oposição insistiram em comparar ações do PT a práticas "fascistas". "Uma caminhada pacífica foi perturbada e interrompida pela tropa de choque organizada por militantes do PT. É o uso da tecnologia patenteada pelos fascistas italianos na década de 20: trocar debate de ideias por porrada nos adversários", disse o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que a agressão teve o apoio do governo federal. "É coisa de petista, é coisa do governo", declarou o senador.

Na ação, os advogados citam os artigos 331 e 332 do Código Eleitoral, alegando que os "representados" tolheram "a atividade político-eleitoral legítima dos partidos e do candidato".

Os tucanos não descartaram ainda uma representação contra Lula em razão de suas afirmações sugerindo que Serra teria simulado a agressão. Avaliam ainda o impacto eleitoral que a ação poderia ter junto ao eleitor.

Retratação. O médico Jacob Kligerman, que atendeu o candidato tucano após a confusão em Campo Grande, disse que espera uma retratação do presidente Lula, para quem o médico teria participado da fraude.

Kligerman, que é amigo de Serra, disse que, embora já tenha acionado seu advogado, aguarda um pedido de desculpas de Lula. "Aquilo não foi uma farsa, aquilo foi um atendimento médico. Eu senti a minha dignidade ofendida, pois eu estava praticando um ato médico. Tudo aquilo que eu disse no dia do acidente ocorreu", afirmou. Ao condenar o que chamou de "factoide", Lula lembrou que Kligerman foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Câncer quando Serra foi ministro da Saúde. "Serra me procurou porque, além de amigos, sou a referência médica dele na cidade. Ele tinha de procurar os amigos. Iria procurar os inimigos?", questionou o médico.

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