Serristas querem instituir rodízio no comando do PSDB

Pela proposta, presidência da legenda ficaria um ano nas mãos de aliados de Aécio e, no período seguinte, com um representante do grupo de Serra

Eugênia Lopes e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2011 | 00h00

Com o aval do ex-governador José Serra (PSDB), aliados deflagram uma operação para pressionar pela adoção de um rodízio na presidência tucana, numa tentativa de recuperar espaço dentro do partido. A renovação do comando está marcada para o dia 28 de maio e, hoje, a tendência é reeleger o deputado Sérgio Guerra (PE).

O grupo liderado por Serra está inconformado e insiste em implantar a rotatividade na presidência do partido: um ano, ficaria nas mãos de aliados do senador Aécio Neves (MG) e, no ano seguinte, com um representante dos serristas.

A ideia, defendida pelo governador paulista Geraldo Alckmin, ganhou força após Serra passar os últimos dois dias em Brasília. É vista como uma solução com o fracasso das articulações para colocá-lo no conselho político a ser criado pelo PSDB.

No fim de semana passado, em reunião dos oito governadores do PSDB, em Belo Horizonte, foi aprovada proposta de criar um "órgão de assessoramento" que não disputaria espaço com a direção partidária.

Serra não gostou, porém, do formato idealizado, que deverá contar com 14 integrantes e ter no comando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador disse a tucanos que o conselho, do tamanho que foi proposto, perderá eficiência e ficará sem sentido. Insatisfeitos com esse formato, os serristas avaliam que o conselho "morreu", uma vez que deverá ter efetivamente pouco poder de ação.

Na semana passada, Geraldo Alckmin chegou a defender, publicamente, o rodízio na presidência do partido. Mas, na reunião de sábado com os demais governadores, não apresentou nenhuma sugestão nesse sentido.

Para embasar a tese do revezamento, a ala tucana próxima a Serra, formada basicamente por deputados federais tradicionalmente aliados ao ex-governador, resolveu buscar a proposta feita pelo governador paulista Franco Montoro (1916-1999), um dos fundadores do PSDB.

Na fundação da legenda no final dos anos 80, Montoro instituiu a rotatividade nas funções da cúpula partidária. Nos dois primeiros anos do PSDB, "caciques" se revezaram na presidência do partido por oito meses. Quem começou foi o então senador Mário Covas. Alckmin chegou a citar a experiência de Covas ao defender o rodízio como uma solução para contemplar os dois grupos partidários.

A alternância nas funções partidárias incluiria revezamento na secretaria-geral e em outros órgãos, como a presidência do Instituto Teotônio Vilela. Os aliados de Serra querem esperar as eleições para os diretórios estaduais no mês que vem. A partir daí, terão ideia se conseguirão influência suficiente na máquina do partido para emplacar a tese.

Aliados de Aécio e de Guerra acreditam que o movimento de aliados de Serra para retomar espaço no PSDB seja restrito a um pequeno grupo, a "duas ou três pessoas no máximo". Ambos estão confiantes de ter o aval dos oito governadores tucanos e da maioria das bancadas de deputados e senadores para manter Guerra à frente do partido. Na tentativa de pôr um ponto final nas disputas internas, Guerra tem se comprometido em conversas internas a não fazer campanha nos próximos dois anos nem para Aécio nem para Serra.

Disputa. A ideia do conselho político tucano nasceu como uma tentativa de acordo para a reeleição de Guerra na presidência do PSDB. Guerra é um dos principais aliados de Aécio, que tem pretensões de se lançar pré-candidato à Presidência, em 2014. Serra também teria pretensões de voltar a disputar a eleição presidencial. No início do ano, Guerra foi bem-sucedido na articulação de um abaixo-assinado da bancada tucana na Câmara a favor de sua recondução à presidência do partido. O documento foi assinado por 54 deputados e suplentes do partido.

Na época, aliados de Serra protestaram. O deputado Jutahy Magalhães (BA) acusou Guerra de "atitude indigna". "A atitude do presidente Sérgio Guerra foi indigna e o desqualifica como presidente do partido"", disse Jutahy, na ocasião. O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) foi outro que criticou Guerra, acusando-o de ter cometido "erro crasso".

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