Servidor do IML vende cadáver

No PR, golpe visava seguro de US$ 1,6 mi nos EUA

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

A polícia do Paraná prendeu ontem o papiloscopista João Alcione Cavalli, que trabalhava no Instituto Médico-Legal de Curitiba, sob acusação de ter vendido um cadáver, ainda não identificado, para que um homem tentasse aplicar um golpe em uma seguradora norte-americana. Cavalli negou à polícia qualquer participação no suposto crime e até mesmo que tivesse conhecimento. Outras três pessoas também foram presas por suposta participação. Segundo a polícia, Mércio Eliano Barbosa, de 28 anos, morava nos Estados Unidos e adquiriu duas apólices de seguro de vida num total de US$ 1,6 milhão. Depois, passou a procurar, por meio de sites de relacionamento da internet, alguém que lhe fornecesse um atestado de óbito falso. O funcionário do IML soube do interesse e respondeu afirmativamente. O delegado Sérgio Inácio Sirino disse que Barbosa teria vindo a Curitiba e encontrado Cavalli por três vezes. O funcionário teria prometido o corpo, pelo qual deveria receber R$ 30 mil, assim que o dinheiro do seguro fosse liberado. De acordo com o delegado, Cavalli tirou as impressões digitais de Barbosa e pediu que apresentasse um parente de primeiro grau para reconhecer como sendo dele o corpo de um indigente. A incumbência ficou a cargo da irmã de Barbosa, Daiana, de 20 anos. O reconhecimento teria acontecido em dezembro do ano passado e o corpo foi enterrado em São José dos Pinhais, como sendo de seu irmão A seguradora desconfiou da morte, em razão do valor do seguro, e acionou a polícia. Em três meses de investigação, os dois irmãos foram encontrados e, na sexta-feira, acabaram presos no norte do Paraná. Sirino disse que Barbosa confessou a tentativa de golpe e apontou o funcionário do IML que teria contribuído para o golpe. Além de Barbosa foram presos sua irmã e uma terceira pessoa, Cristian Gean José de Andrade, de 30 anos, que teria emprestado o nome para que Barbosa adquirisse um consórcio de automóvel. Polícia Federal deve ser acionada para tomar providências contra a mulher de Barbosa, que está nos Estados Unidos. Os advogados dos presos não foram identificados. Barbosa, sua irmã e Andrade responderão por estelionato, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e formação de quadrilha. Cavalli será indiciado por corrupção passiva.

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