Servidores da Justiça retiram móveis de cartórios

Funcionários do Fórum da Justiça Estadual de Araçatuba, em greve há 44 dias, retiraram, nesta quinta-feira à tarde, computadores, cadeiras, mesas e outros objetos de trabalho que compraram com seu próprio dinheiro.Os objetos ficavam nos cartórios cíveis e criminais e foram levados para uma sala do próprio Fórum, onde funcionava um posto bancário.O presidente da Associação dos Servidores da Justiça de Araçatuba (Asserja), Antônio Carlos de Almeida, disse que os computadores e móveis só voltarão para os cartórios depois que a greve acabar e se as reivindicações da categoria, que quer 54,31% de reposição salarial, forem atendidas.Em Araçatuba, cerca de 90% dos 350 servidores da Justiça Estadual estão parados. Segundo Almeida, a decisão dos servidores de tirar seus pertences dos cartórios também tem o objetivo de mostrar que o Tribunal de Justiça não guarnece os fóruns com toda a estrutura necessária para um atendimento satisfatório à população."Até papel higiênico, sulfite e café saem do nosso bolso", declarou. Cada cartório fez uma relação de seus bens, discriminando o que é do TJ e o que foi doado ou emprestado por terceiros.No cartório da 1ª Vara Cível, por exemplo, aparelhos de ar-condicionado, cortina e até relógio de parede foram comprados pelos funcionários. Dos seis computadores, somente dois pertencem ao tribunal.No cartório de execuções fiscais, segundo o diretor Gilmar Mendes Santana, quase a totalidade dos computadores e móveis foi conseguida pelos funcionários na comunidade.Foram eles também que arrecadaram materiais de construção para a reforma do prédio, que pertence à Prefeitura.Por causa da greve, estão acumulando-se no cartório de execuções criminais de Araçatuba centenas de pedidos de benefícios feitos por presos já condenados.O cartório é responsável por 4,7 mil processos de execução de pena de detentos das penitenciárias de Valparaíso e Mirandópolis.O diretor do cartório, Gismar dos Santos Custódio, prevê que quase 400 presos do regime semi-aberto poderão não conseguir liberação para passar o fim do ano com suas famílias se a greve continuar."É impossível dar andamento normal ao serviço, pois só dois funcionários estão trabalhando", disse Custódio.

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