Servidores da PF cobravam propina para emitir passaportes

Quarenta agentes da Polícia Federal (PF) realizaram nesta quarta-feira, 25, uma operação contra uma quadrilha que envolve cinco de seus servidores e despachantes em um esquema de cobrança de propina para a emissão de passaportes. A operação foi batizada de Venezuela por causa do nome da rua de acesso à Delegacia de Imigração, responsável por emitir o documento. A PF solicitou à 5.ª Vara Federal Criminal do Rio a prisão preventiva dos cinco funcionários e dos despachantes, mas o pedido foi negado. A Justiça, porém, determinou o afastamento preventivo de suas funções na PF dos cinco acusados: um agente de polícia e um agente administrativo da superintendência fluminense, um escrivão e uma funcionária terceirizada da Delegacia de Macaé e um agente administrativo da Delegacia de Nova Iguaçu.Em oito escritórios de despachantes onde foram realizadas buscas, foram apreendidos passaportes com dados verdadeiros de pessoas que solicitaram o documento. Houve buscas também nas unidades onde trabalham os suspeitos.A operação Venezuela, que usou escutas telefônicas, começou a ser montada em abril, mês em que o atual superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira, assumiu o cargo. Ele percebeu que a emissão de passaportes estava demorando até 47 dias e mudou a chefia do Núcleo de Passaportes, entre outras providências. Hoje, o documento é entregue em oito dias, prazo que Teixeira ainda considera longo. A PF descobriu que os funcionários dificultavam a emissão do documento para cobrar propinas por meio dos despachantes, que chegavam a exigir R$ 500. A taxa correta é de R$ 89,71. O superintendente disse que os agentes "criavam dificuldades para vender facilidades". Teixeira observou que a irregularidade é uma prática recorrente na superintendência. Pelo mesmo motivo já houve as operações Moscou, em outubro de 2002, e a Planador, em agosto de 2003. Nesta, os funcionários da PF, todos afastados, vendiam passaportes com dados falsos, criando verdadeiras famílias, o que permitia a saída para o exterior, principalmente para os Estados Unidos, de crianças acompanhadas por pessoas que não eram seus pais. Os dados eram de funcionários da Petrobrás, o que facilitava a concessão de visto.Os nomes dos acusados não foram divulgados porque o processo corre em segredo de Justiça. Teixeira informou que, seguindo uma tendência nacional, já implantada em Brasília e em Belo Horizonte, a Delegacia de Imigração será transferida para o Aeroporto Internacional Tom Jobim no prazo máximo de um mês, logo que a Infraero concluir obras no local. Serão mantidos os postos que hoje funcionam nos shoppings Rio Sul e Via Parque.

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