Fernando Moreno/Futura Press
Fernando Moreno/Futura Press

Servidores públicos invadem sede do governo de Minas Gerais

Protesto contra pagamento parcelado de salários incluiu acampamento; corporações da Segurança criticam e governo fala em ‘oportunismo político’

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

06 Junho 2018 | 18h55
Atualizado 06 Junho 2018 | 23h05

BELO HORIZONTE - Servidores públicos da ativa e aposentados da área de segurança pública de Minas chegaram a invadir nesta quarta-feira, 6, as dependências e acamparam na frente do Palácio da Liberdade, de onde despacha o governador do Estado, Fernando Pimentel (PT). Os funcionários protestam, entre outros pontos, contra o pagamento parcelado de salários, que ocorre desde fevereiro de 2016.

A decisão de invadir o local foi tomada à tarde, durante manifestação na frente do prédio. À noite, cinco barracas foram montadas no local.

O PM reformado Álvaro Rodrigues Coelho, presidente do Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros de Minas Gerais, afirmou que os servidores não suportam mais o parcelamento do pagamento. “Viemos sem data para sair”, disse.

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Já o delegado Marcelo Armstrong, que trabalha em Juiz de Fora, na Zona da Mata, destacou ainda que, além da regularização dos pagamentos, a categoria quer recomposição salarial por perdas inflacionárias. “Só saímos daqui quando o governador abrir negociação.”

Em nota conjunta divulgada pela PM e pelos Bombeiros, as corporações afirmam que “o referido movimento, da maneira como está sendo conduzido pelas lideranças, prejudica e interrompe todo um processo de negociação que os comandos vinham estabelecendo com o governo”.

Já o Estado, sem dar nomes, fala em oportunismo político na manifestação e condena “a irresponsabilidade do ex-policial, já protagonista de outros episódios vergonhosos, que insuflou nesta quarta-feira uma claque a invadir o Palácio da Liberdade”. “Graças à ação e ao trabalho responsável da Polícia Militar, o cenário em Minas Gerais é de queda dos índices de criminalidade. A tentativa de desestabilizar a área de Segurança, que apresenta os melhores resultados em sete anos, é ainda mais perigosa diante dos ataques criminosos a ônibus em 26 municípios mineiros.”

Desocupação

O governo de Minas afirma ter conseguido decisão judicial para desocupação do Palácio da Liberdade. A decisão pode ser cumprida ainda esta noite. "Diante da lamentável invasão do Palácio da Liberdade, ocorrida na tarde desta quarta-feira (6), o Governo de Minas Gerais acionou a Justiça, solicitando a desocupação da sede do Poder Executivo Estadual", afirma nota do governo.

RS também tem parcelamento

O parcelamento de salários não afeta apenas Minas. O Rio Grande do Sul, por exemplo, também adotou a medida para contornar problemas financeiras e o parcelamento já ocorre há 30 meses. Com dívida na casa dos R$ 76 bilhões, 28% maior que em 2014, a atual gestão foi obrigada a buscar ajuda federal. Na semana passada, o governo José Ivo Sartori (MDB) pagou os salários de maio dos servidores do Executivo que ganham até R$ 3,5 mil líquidos. Com esses depósitos, 66% do funcionalismo passou a ter os vencimentos em dia. O governo diz que isso reflete em parte melhoria na arrecadação.

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