Serys diz não haver motivo para renúncia

Pressionada pela oposição, a relatora da Comissão Mista do Orçamento, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), disse ontem que o fato de manter lotada em seu gabinete a presidente do Instituto de Pesquisa e Ação Modular (Ipam) , Liane Maria Muhlenberg - que conseguiu R$ 4,7 milhões em convênios com o governo sem precisar de licitação - não é motivo para deixar o cargo.

Rosa Costa e Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Serys afirma que não cometeu nenhuma irregularidade e que não sabia da relação da servidora com o instituto. "Foi nomeada por mim, mas eu desconhecia, não sabia, nunca comentou e eu desconhecia totalmente."

O Estado revelou ontem que o dinheiro chegou ao Ipam por meio de emendas de parlamentares do PT para shows e eventos culturais. A reportagem mostrou que Liane assinou declaração falsa aos ministérios, dizendo não trabalhar no Senado.

O presidente do PPS, Roberto Freire, pediu o afastamento de Serys. "Não é possível que o governo não tenha um senador ficha-limpa para ser relator do Orçamento", disse. "Que se encontre outro senador para o lugar desta senadora, senão contamina o Orçamento tanto quanto aconteceu com o anterior."

A petista assumiu a relatoria na semana passada, após a renúncia do senador Gim Argello (PTB-DF). Ele entregou o cargo após uma série de reportagens do Estado ter apontado ligações de emendas orçamentárias de sua autoria e institutos fantasmas e empresas constituídas com o nome de laranjas.

Ontem à noite, a Comissão Mista de Orçamento aprovou nova previsão de recursos, elevando a receita em mais R$ 4,7 bilhões, apesar de o governo ter recomendado corte de R$ 8 bilhões. Com isso, o Congresso aumentou em R$ 22,4 bilhões os gastos inicialmente estimados.

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