Sessão da Câmara vira lavagem de roupa suja

Transformou-se em lavagem de roupa suja entre os deputados a sessão desta quarta-feira à noite da Câmara que seria para votar o aumento de seus salários. Os deputados revezavam-se na tribuna para acusar uns aos outros de hipocrisia ao se posicionar contra o reajuste salarial. A discussão ficou ainda mais quente durante a polêmica sobre o fim da verba indenizatória de R$ 15 mil ao mês paga a deputados e senadores."É a sessão mais canalha de toda a história do Congresso. Estão buscando bandido e mocinho. A hipocrisia chegou ao ponto máximo", resumiu o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Os ânimos se acirraram com suspeita levantada pelo deputado Chico Alencar (PSol-RJ) de que a extinção da verba indenizatória era uma estratégia para aumentar o salário para R$ 24,5 mil. A proposta do fim da verba foi apresentada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que na semana passada defendeu e votou favoravelmente ao reajuste de 90,7%. Sem citar o nome de Miro Teixeira, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou que a votação do fim da verba era "para salvar a face dos que saíram defendendo R$ 24,5 mil na semana passada". Argumentou que a verba deveria ter sido extinta na quinta-feira passada, na mesma sala em que foi definido o reajuste de 90.7%. "Essa proposta é uma farsa", sentenciou Gabeira. "É muito doloroso a falta de caráter", reagiu Miro.A maioria dos líderes partidários considerou que a Câmara errou no processo de reajuste salarial. O líder do PTB, deputado José Múcio Monteiro (PE), afirmou que o erro vem desde a criação da verba indenizatória, no final de 2001, quando "a hipocrisia da mesa instituiu o benefício para que o silêncio nos unisse". A criação da verba foi uma maneira disfarçada de dar aumento aos parlamentares sem sofrer desgaste político. "Acabar com a verba agora seria um outro erro para tirar alguns deputados da TV", observou o líder petebista. O líder do PSDB, deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA), foi um dos poucos que subiu à tribuna para defender a votação ontem do aumento para R$ 16,5 mil. "Não é vergonha para ninguém recuar. Não vamos contaminar a próxima legislatura com uma decisão demagógica", disse o tucano.

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