Sete dos corpos encontrados no Rio são identificados

Sete dos oito corpos encontrados na madrugada desta terça-feira, 4, em dois carros abandonados na esquina das ruas Porto Alegre e Grão Pará, no Engenho Novo, zona norte do Rio, foram identificados. De acordo com a polícia, as vítimas eram traficantes do Morro do São Carlos, no Estácio - bairro também na zona norte, porém distante do Engenho Novo -, que foram mortos na segunda-feira, em decorrência de uma disputa interna pelo controle dos pontos de venda de drogas.Entre as vítimas identificadas, estava um adolescente de 14 anos e seis outros homens, com idades entre 19 e 26 anos. Os corpos tinham marcas de tiros e indícios de tortura. A guerra pode ter deixado outros 13 mortos. O delegado Ronald Hurst, titular da delegacia do Engenho Novo, disse que os cadáveres foram deixados no Engenho Novo para despistar a guerra do tráfico no São Carlos. "Com os corpos estirados no morro, a polícia iria ocupá-lo, o que prejudicaria a disputa interna", explicou. "Um legista disse que eles haviam sido mortos há pelo menos 20 horas, o que coincide com o período da guerra." O estado dos corpos chocou os moradores do Engenho Novo: as vítimas estavam algemadas, sem roupas e com marcas de que haviam sido torturadas. Os veículos haviam sido roubados no mês passado numa falsa blitz, em Vila Isabel, zona norte carioca. Mais corposOutras 13 treze mortes podem ter relação com a disputa pelo controle do tráfico de favelas no São Carlos e também pelos morros do Querosene e da Coroa, que ficam ao lado. Seis pessoas assassinadas por traficantes foram encontradas entre segunda-feira e hoje e outros sete ainda estão sendo procurados pela polícia. Todos seriam criminosos. Segundo a polícia, é possível que essas sete pessoas desaparecidas estejam entre os oito homens encontrados hoje no Engenho Novo. Esta manhã, dois cadáveres foram deixados em sacos plásticos no canal do Mangue da Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro do Rio, junto ao prédio do Juizado da Infância e Juventude. Outros dois foram abandonados na Rua Itapiru, no Rio Comprido, perto do Estácio. Há suspeita de que os casos estejam relacionados à guerra nas favelas, mas não há confirmação. Na segunda-feira, duas pessoas já haviam sido mortas e jogadas no porta-malas de um Astra, localizado perto de um dos acessos ao complexo. Segundo moradores, os traficantes teriam feito mais sete vítimas. A PM realizou operações ontem e hoje, a fim de encontrá-las, mas nada foi achado. Bandidos de uma mesma facção estão lutando pelo domínio das bocas-de-fumo das favelas. A guerra se estende desde março, quando Gilson Ramos da Silva, o Aritana, antigo "chefe" do São Carlos, foi morto pela polícia.

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