Divulgação/PF
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Sete são presos em operação contra venda de medicamentos ilegais em dois estados

Entre os suspeitos estão um médico e um farmacêutico; criminosos também são responsáveis por uma série de abortos

Solange Spigliatti, do estadão.com.br, texto atualizado à 10 horas

09 Março 2012 | 08h42

SÃO PAULO - Subiu para sete o número de pessoas presas nesta sexta-feira, 9, durante a Operação Pró-Vita, da Polícia Federal, que combate a venda de medicamentos ilegais e a prática de abortos criminosos em série em Goiás e Mato Grosso. Foram encontrados remédios de uso controlados, chamados 'tarja preta'.

A Justiça expediu 66 mandados judiciais para a operação, sendo 11 de prisão temporária e 23 de busca e apreensão. Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de Barra do Garças, Alto da Boa Vista e Primavera do Leste, no Mato Grosso, além de Aragarças, Baliza e Aparecida de Goiânia, em Goiás. Também foi determinado o sequestro dos bens dos investigados. Entre as pessoas com prisão decretada há um médico, farmacêuticos e atendentes de farmácias da região de Barra do Garças.

Rede criminosa. A investigação revelou a existência de uma rede criminosa dividida em duas ramificações que interagiam nas práticas dos crimes. A primeira, voltada para a importação e distribuição de medicamentos de origem estrangeira sem o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para farmacêuticos e médicos da região. Os remédios, de circulação proibida no País, são utilizados como abortivos e para tratamento de obesidade e disfunção erétil.

A segunda ramificação é composta por médicos e pessoas associadas, acusados de cobrarem para realizar abortos ilegais. Os médicos também utilizavam os medicamentos ilegais, fornecidos por farmacêuticos e importadores de remédios, na estrutura do serviço público de saúde: os materiais e equipamentos do Hospital Municipal de Barra do Garças. Além do crime de aborto, eles cobravam pela realização de procedimentos médicos custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante a fase de investigação, foi possível identificar uma série de casos de abortos criminosos. No período foram apreendidos 187 comprimidos de Cytotec (quantidade suficiente para a realização de ao menos 50 abortos), 260 comprimidos de Sibutramina, 56 comprimidos de Desobesi-M, 60 comprimidos de Xanax, 40 comprimidos de Rheumazin forte e 50 comprimidos de Pramil.

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