Sétimo dia de caos gera protestos nos aeroportos do País

A situação piorou nos aeroportos de todo o país no sétimo dia de "operação padrão" dos controladores. No primeiro dia do feriado prolongado, passageiros queriam invadir a pista em Salvador e, em Brasília, um grupo queria ocupar a aeronave. No aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, e no aeroporto Antonio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, a polícia foi chamada para manter a ordem nos terminais.São PauloA situação piorou nos aeroportos de São Paulo, onde a polícia foi chamada para manter a ordem nos terminais de Cumbica. Na manhã desta quinta-feira, entre às 6h20 e às 7h50, dos 25 vôos previstos para partirem do terminal de Congonhas, apenas quatro partiram. No check-in da Gol, em Cumbica, a informação era de que os vôos que partiriam para Salvador e Goiânia tinham sido cancelados.Em Cumbica, na cidade de Guarulhos, mais do que uma grande quantidade de vôos atrasados, o que se via nesta madrugada foi a perda total do controle da situação: passageiros da Gol, depois de aguardarem por mais de dez horas pela decolagem que não aconteceu, invadiram o guichê da companhia no setor de embarque em busca de informação.Os poucos funcionários, sem saber o que dizer, fugiram. Os passageiros fizeram protestos, gritos em coro, tumulto, e até pichação no painel da Gol (um passageiro escreveu "Gol contra" na principal placa da companhia). Depois que os passageiros tomaram o guichê da companhia, a polícia interveio. A Gol está funcionando com um cordão de policiais, separando passageiros e funcionários, depois que um funcionário da companhia, segundo relatos de uma testemunha, sacou um revólver para se defender de um passageiro mais exaltado, porém não houve disparos.O Sargento Castelan, da PM, afirmou que os policiais estão trabalhando no local em condições precárias e estavam há dez horas sem comer.Os passageiros que queriam apenar ir embora, esperaram durante mais de cinco horas somente para conseguirem suas bagagens. Às 7h15, muitas malas e pertences circulavam na esteira esperando por seus donos, e cada um pegava o que queria, sem nenhum controle. Um cenário degradante, com pessoas chorando, crianças dormindo no chão e idosos com falta de ar.Em Congonhas, a Gol tinha 30 vôos sem previsão de decolagem até o fim desta quinta-feira. Porém os aviões vindos da região sul do País não registravam atrasos.Até às 8h, quatro vôos que partiriam do aeroporto de Congonhas para o Nordeste foram cancelados. O último número é de cinco vôos atrasados e 15 a serem confirmados, sendo que algumas partidas foram transferidas de Congonhas para Cumbica. Por volta das 3h, ônibus vindos de Congonhas chegavam no terminal de Guarulhos.A Infraero, que recebia dez ligações com reclamação por dia, depois da crise, passou a receber 300 ligações. Porém não havia nenhum funcionário da empresa nos aeroportos paulistas para dar informações e orientar os passageiros.RioNo sétimo dia de operação padrão dos controladores de vôo, foi preciso ter muita paciência para embarcar no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim no Rio de Janeiro.Três vôos da TAM que deveriam ter decolado na noite de quarta-feira ainda não tinham partido. Eram vôos para Vitória, que deveria ter saído às 18h30, Maceió, com partida marcada para às 22h30, e Natal, com decolagem prevista para às 0h. Na manhã desta quinta-feira, houve tumulto na sala de embarque doméstico provocado por cerca de 200 pessoas que queriam informações no balcão da TAM. Os funcionários, atônitos, tentavam explicar que não havia como todos os passageiros embarcarem.No terminal 2, desde a noite de quarta-feira, o analista de sistemas Lauro Oliveira, de 55 anos, dizia que preferia não se estressar "porque não há jeito". O vôo dele deveria ter saído às 19h05 e o novo horário, transferido para às 7h30 da manhã desta quinta-feira também já não vale mais. Oliveira tem vôo para Brasília, de onde segue para Recife. "Acho que só vou chegar em casa amanhã ou depois", prevê Oliveira."Se o governo já sabia não podia ter deixado chegar a esse ponto", afirmou o analista de sistemas. Os passageiros que chegavam ao local recebiam a orientação, dada por funcionários do aeroporto, de fazerem o check-in e aguardarem. "Não tem previsão, tem avião aqui desde ontem que ainda não decolou", explicou pacientemente uma funcionária da TAM na manhã desta quinta-feira diante de uma fila de dezenas de passageiros inconformados.A Polícia Militar estava presente na área de check-in da Gol, no terminal 1 do aeroporto Tom Jobim, onde, por volta de 5h, passageiros revoltados com a falta de informações sobre seus vôos quebraram instalações e tomaram os lugares das atendentes da empresa aérea.O mergulhador Gilberto Fonseca, de 50 anos, que presenciou tudo, contou que cerca de 400 pessoas se aglomeravam junto aos guichês da Gol quando parte delas, não suportando mais esperar em vão por notícias, passaram para a parte onde o acesso só é permitido a funcionários. "Estavam todos muito nervosos e gritavam: queremos avião. Eu não participei porque não faz parte da minha conduta", disse Fonseca, que integra um grupo de mergulhadores que deveria ter embarcado para Vitória às 21h45 de quarta-feira e passou a noite no aeroporto. Somente às 8h45 Fonseca recebeu uma informação de uma funcionária da Gol de que ele deveria se dirigir ao portão 4.O supervisor da companhia aérea Gol no aeroporto determinou, na manhã desta quinta-feira, que os poucos funcionários que estavam no saguão tentando passar informações e conter passageiros mais exaltados entrassem para a área restrita da empresa.A ordem, segundo ele, foi dada para evitar que fossem passadas informações equivocadas para as pessoas. A Gol está com seis aviões parados no pátio esta manhã e havia a previsão de oito vôos entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira.Alguns vôos foram cancelados, mas nem a companhia aérea nem a Infraero divulgaram um número preciso. Outros vôos estão próximos de completar 12 horas de atraso. A única partida da Gol que deve acontecer é a do vôo 1662 com destino a Recife, que tinha decolagem prevista para às 3h25.Durante toda a madrugada o saguão do terminal 1 do Tom Jobim ficou lotado. Passageiros se acomodaram como puderam e muitos dormiram no chão apoiados nas malas. No terminal 2, a situação foi mais tranqüila.BrasíliaAs filas se repetiram na manhã desta quinta-feira no Aeroporto de Brasília. Até às 09h39, 15 vôos que deveriam ter chegado à capital federal estavam atrasados. Outros onze vôos que deixariam Brasília estavam com atrasos e sem previsão de embarque.Muitos passageiros passaram a noite no saguão do aeroporto. Um grupo de passageiros que estava há mais de oito horas aguardando para embarcar realizava um protesto no local. As pessoas ameaçavam inclusive invadir um avião da Gol e reclamavam da falta de informações.SalvadorO clima era muito tenso no Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. Os vôos programados para a manhã desta quinta-feira não tinham previsão nem para pouso nem para decolagem. Durante a madrugada, alguns aviões que deveriam chegar à capital baiana foram cancelados. Cerca de duas mil pessoas esperam para viajar neste feriado no aeroporto, em Salvador.A Polícia Militar informou que, por conta da situação, os passageiros estavam muito revoltados. Inconformados com a grande espera, alguns deles ameaçaram invadir a pista. O policiamento foi reforçado e deve permanecer durante toda esta quinta-feira.Porto AlegreNo aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, do Rio Grande do Sul, dez vôos estavam atrasados até as 8h30.Por conta do cancelamento de um vôo, passageiros que seguiriam para Montevidéu, capital do Uruguai, ficaram muito revoltados. Houve discussão e um funcionário da Gol teria sido agredido, lá, a situação também só se acalmou com a chegada da polícia.A empresa aérea ofereceu hotel e devolveu as bagagens, mas os passageiros garantiram que vão permanecer no aeroporto até que a companhia consiga outro vôo.De acordo com informações da Infraero, seis decolagens para São Paulo e Rio de Janeiro estavam foram do horário, com atrasos variando de 1h30 a 2h. Um vôo da Ocean Air foi cancelado e quatro pousos estavam atrasados. A partir das 8h30 até 23h50, outros oito vôos, três deles da empresa aérea Gol, saindo de São Paulo, foram cancelados.Belo HorizonteNa manhã desta quinta-feira o Aeroporto Internacional de Confins, região metropolitana de Belo Horizonte, também apresentou problemas, onde diversas pessoas aguardavam para embarcar desde o início da noite de quarta-feira. Cinco vôos que deveriam ter pousado entre 21h e 23h30 ainda não tinham aterrissado.As viagens para Vitória, Salvador, São Luís, Porto Seguro e Maceió foram as que apresentaram maiores atrasos. Três decolagens - uma para o Rio de Janeiro, outra para São Paulo e uma para Natal - foram canceladas. No Aeroporto da Pampulha, também em Belo Horizonte, que opera viagens regionais, dez vôos também foram cancelados. Os passageiros reclamavam principalmente da falta de informação das companhias aéreas. RecifeOs passageiros do Aeroporto Internacional do Recife reclamavam da falta de informações por parte das companhias aéreas a respeito das saídas e chegadas dos vôos na manhã desta quinta-feira. Muitos deles estavam dormindo em cadeiras e esperando horas para embarcar.Desde a 0h um total de cinco vôos já atrasaram e dois foram cancelados. O vôo 3312 da TAM que estava previsto para chegar às 2h40 saindo de Guarulhos, em São Paulo, só deveria chegar às 9h30.Segundo o site da Infraero, um outro vôo, 3866 da TAM, que deveria ter chegado às 4h25, vindo de Porto Alegre (RS), tem previsão para chegar às 10h10. Já o vôo 3867 da TAM, com destino a Porto Alegre deveria partir às 9h15, depois de ter a saída transferida das 0h15 para o horário. Esta matéria foi alterada às 10h22 para acréscimo de informações.

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