Setor aéreo dá como certa renúncia coletiva na Anac

Ex-diretor do DAC Jorge Godinho é cotado para assumir presidência

Bruno Tavares e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

Fontes do setor aéreo dão como certa a renúncia coletiva dos diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Dos cinco integrantes da cúpula da agência, só Denise Abreu ainda estaria resistindo em deixar o posto. A pressão pela saída dos dirigentes é tão grande que, na terça-feira, o presidente da entidade, Milton Zuanazzi, colocou seu cargo à disposição durante reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. "Tem muita gente comemorando e torcendo para que isso (a renúncia) aconteça", afirma uma fonte do setor. Após o acidente da Gol, diz, ficou claro que a Anac precisava de nomes técnicos para seus quadros, herdados do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). Essa percepção, acrescenta, aumentou com o acidente da TAM. "Não tem mais clima para trabalhar com eles. Se for confirmado, será ótimo", afirmou outro integrante do setor aéreo. Diante das recentes manifestações do governo, que nos bastidores se mostrou favorável à troca de toda a diretoria, o clima entre os cinco diretores - Zuanazzi, Denise, Josef Barat, Leur Lomanto e Jorge Velozo -, relata outra fonte, "é muito ruim". A partir de agora, diz, "é cada um por si". Procurado ontem à noite pelo Estado, um funcionário da agência negou qualquer possibilidade de renúncia coletiva. "Onde a Anac errou?", questionou ele. "Se nos mostrarem, aí sim podemos discutir uma eventual saída. O que não faz sentido é ficarem criando ?balões de ensaio?, tentando nos imputar uma culpa que não temos." Mesmo pressionados, diretores da agência cumpriram as agendas de compromissos. Durante todo o dia de ontem, Denise e Velozo estiveram na sede do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), no Rio, para discutir o redesenho das malhas aéreas. Militares que participaram da reunião disseram que nenhum deles deixou transparecer qualquer possibilidade de renúncia. Certos de que a saída da diretoria da Anac é questão de tempo, executivos e consultores do setor aéreo já especulam sobre quem será o sucessor de Zuanazzi. O nome mais cotado é o do brigadeiro Jorge Godinho. Assessor do ex-ministro da Defesa Waldir Pires, ele permaneceu na função com Nelson Jobim. Pesa a seu favor o fato de ter sido o último diretor-geral do DAC e a aprovação maciça das empresas aéreas. Mas está prestes a ser promovido a brigadeiro quatro estrelas - a escolha ocorre em março de 2008 - e não estaria disposto a abrir mão da ascensão na carreira militar. OUTROS COTADOS O ex-presidente da Varig e da Embraer Ozires Silva também é cotado. Hoje ele ocupa o cargo de reitor na Universidade Santo Amaro (Unisa), em São Paulo. Outro nome que poderá integrar a diretoria da Anac é Adyr da Silva, ex-presidente da Infraero e atual professor do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (UNB). Ele chegou a ser cotado para a presidência da agência logo após a criação, em 2006. Ontem, o partido Democratas entrou com uma ação popular, na Justiça Federal do Rio, pedindo a impugnação da nomeação dos diretores da Anac.

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