Setor aprova secretaria especial para aviação

Ex-diretor da Anac, Allemander Pereira defende que diretores de nova pasta tenham formação acadêmica e experiência profissional no setor

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

A criação de uma secretaria especial de aviação civil ligada ao gabinete da Presidência foi bem recebida. Tanto as empresas quanto o sindicato avaliam que há desorganização e falta de planejamento e que a intervenção direta da presidente eleita, Dilma Rousseff, reunindo sob a mesma pasta a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero, poderia dar novo rumo ao setor.

"É uma estratégia para esse momento de emergência, em que não se conseguiu articular a aviação civil com os instrumentos que se tem. A aviação civil ficou numa espécie de limbo e não sofreu ação efetiva durante anos", afirma Elton Fernandes, especialista em aviação civil e professor da Universidade Federal do Rio. Para ele, a desorganização do sistema ocorreu quando a Anac foi criada com caráter regulador, deixando de lado o planejamento.

Em janeiro, o professor apresentou estudo, feito em parceria com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, que apontava que as obras eram insuficientes para resolver o problema do setor. "A situação se agravou. A média de crescimento de passageiros foi na faixa de 20%. E isso não estava previsto no estudo". Ele ressaltou, no entanto, que a secretaria deve ter poder pontual. "O transporte aéreo tem de encontrar seu caminho dentro da área de transporte".

Para o brigadeiro Allemander Pereira, ex-diretor da Anac, a criação da secretaria deve vir acompanhada da nomeação de diretores "com formação acadêmica e experiência profissional". "A presidente está bem direcionada para não permitir que haja influência política. A criação dessa pasta mostra que ela tem visão exata da dimensão dos problemas que temos".

Trabalho conjunto. A possibilidade do reordenamento do setor também foi citada como vantagem pelo presidente do Sindicato dos Aeronautas, comandante Gelson Fochesato. "Cada vez mais o transporte aéreo brasileiro está definhando. Está tudo muito desorganizado: não há infraestrutura aeroportuária, as empresas trabalham cada vez mais com menor número de pessoas, a concorrência externa é muito desleal e vai acabar provocando o fechamento de empresas. A secretaria tem de reorganizar o setor de forma conjunta."

Ele citou como exemplo de desorganização as crises da Gol, em julho, da Webjet, em agosto, e da TAM, mais recentemente, quando a companhia foi impedida de vender bilhetes depois de atrasos consecutivos. "Não adianta uma empresa aérea comprar dez aviões se não tem espaço em aeroporto. E aeroporto não pode ser construído como se fosse shopping center. Hoje, Anac e aeroportos trabalham isolados. É preciso fazer uma coisa única", defendeu.

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