Setor privado é visto como exemplo de mais eficácia

Especialistas acreditam que planejamento e eficiência valem como base para administração de qualquer setor

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

O interesse da presidente Dilma Rousseff pelas tendências modernas da administração não chega ao ponto de ela adotar jargões como stakeholders (partes envolvidas) e método carrot or stick (cenoura ou vara). Nas horas vagas, Dilma prefere ler romances a biografias de superexecutivos de multinacionais. Mesmo assim, a presidente, no dia a dia do governo, está atenta a conceitos como comprometimento, foco e resultado.

Uma das principais diferenças da gestão privada para a pública, apontada pelo diretor acadêmico das faculdades do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec), Luiz Alberto Nascimento Campos Filho, é o fato de que um governante, em especial um presidente da República, "trabalha com muitos stakeholders", como são chamados todos os agentes afetados por um projeto.

"O presidente vai negociar com movimentos sociais, com ministros, governadores, prefeitos, organismos internacionais, outros países, uma enorme quantidade de variáveis. Até para montar uma equipe é difícil. Sem definição de objetivos é difícil fazer metas. Eu faria três objetivos claros e me concentraria neles", analisa Campos Filho.

Recompensa. Diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a professora Maria Tereza Fleury afirma que o método de motivação conhecido como "cenoura ou vara", baseado em punições (ou ameaças) para mau desempenho e recompensas para bons resultados funcionam tanto na iniciativa privada quando na pública. "Existem muito mais exemplos no Brasil de aplicação de parâmetros de eficiência no poder público do que se imagina", afirma Maria Tereza.

Para o professor Luiz Leal, gerente de projetos para grandes organizações da Fundação Dom Cabral, voltada para desenvolvimento de executivos, empresários e empresas, limitações como excesso de burocracia não são impedimento para um bom planejamento.

"A última linha da iniciativa privada é o lucro financeiro, de olho no mercado e no cliente. O governo olha para a sociedade, o serviço ao cidadão e visa o lucro social. Mas as ferramentas são semelhantes e muitas vezes têm mais resultado no poder público do que na iniciativa privada", diz o professor. Segundo Leal, um dos primeiros passos para bons resultados na esfera pública é evitar a dispersão. "O potencial de perder a sintonia é muito grande", afirma.

O professor considera ainda essencial o trio eficiência ("fazer bem feito"), eficácia ("fazer o que precisa ser feito") e efetividade ("o quanto a sociedade foi atendida"). "A primeira reação é apontar a falta de recursos e de pessoas", adverte o professor, "mas essas ferramentas podem contribuir muito fortemente para as melhorias".

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