Danilo Ramos/FBSP
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Setor privado nos ajuda a combater organizações criminosas, diz diretor da polícia colombiana

No Brasil, diretor da Polícia Nacional diz que se preocupa com atuação crescente da Família do Norte na área de fronteira. Ele pede mecanismo binacional para enfrentar a criminalidade

Entrevista com

Major general Gustavo Alberto Moreno Maldonado, diretor adjunto da Polícia Nacional da Colômbia

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2019 | 17h10

JOÃO PESSOA (PB) - A Colômbia tem usado cada vez mais os conhecimentos do setor privado para entender e combater grandes organizações criminosas. Isso porque, segundo explica o major general Gustavo Alberto Moreno Maldonado, diretor adjunto da Polícia Nacional do país, a sofisticação atual dos grupos ilegais usa cada vez mais a lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada para fazer circular os recurso milionários do narcotráfico. 

Para entender movimentações financeiras e o funcionamento dessas empresas, Maldonado, que esteve em João Pessoa onde participou do encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, disse ao Estado que conta com a ajuda do setor privado para ensinar a polícia a identificar as atuações suspeitas.

Ele contou que o governo colombiano nota o crescimento da Família do Norte na região da fronteira amazônica e pede um mecanismo binacional para atuar com eficiência contra a criminalidade. Veja a entrevista.

A Colômbia foi conhecida por muito tempo pela atuação dos carteis de droga em função da massiva produção de cocaína. O governo conseguiu reduzir a violência, mas como a polícia avalia a gravidade do problema ainda hoje?

Segue sendo um grande desafio, gigante, imenso. Entendemos que o tamanho do Estado tem que ser do tamanho do território. Há que se ter essa soberania real em cada parte do território. Os grupos narcotraficantes têm uma maior possibilidade de existir quando coexistem com as comunidades porque um grupo com dinheiro pode investir e a comunidade vai protegê-lo, de uma ou outra forma. Em Colômbia, seguimos lutando muito contra isso. 

O senhor falou sobre a importância da aproximação com o setor privado para combater de forma mais eficaz as organizações criminosas. Como isso se dá?

Temos que entender que o que move essas estruturas é o negócio criminal, criando rendas ilegais que só estão aumentando. São empresas criminais, pois têm uma estrutura humana, logística e financeira voltada para atuação naquele negócio. A empresa, por sua vez, se conecta a um sistema de economia criminal. Nessa altura, uma resposta ostensiva de uma polícia já não é suficiente porque temos de entender o negócio para atacá-lo. Entender como as movimentações bancárias se conectam, como se ligam a empresas formais. E quem entende desse assunto é o setor privado, não a polícia. Então, o setor privado tem nos ensinado muito e nos levado a montar e conectar uma grande base de dados para obter a lógica do funcionamento das organizações. 

As facções brasileiras que atuam na fronteira são uma preocupação para o governo colombiano?

O tema do narcotráfico interessa ao Brasil e à Colômbia e chama atenção para a região de fronteira que também dividimos com o Peru. Nessas áreas, há hegemonias territoriais. Agora mesmo, as estruturas da Família do Norte, por exemplo, atuam e levam da Colômbia para o Brasil maconha e cocaína. É uma zona estratégica e que não podemos permitir que seja afetada mais do que já acontece. Temos que montar um mecanismo binacional comum para atuar contra esse tipo de criminalidade.

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