Shell volta a contestar contaminação em Paulínia

A Shell Química do Brasil voltou a contestar nesta sexta-feira laudos que apontam contaminação dos moradores do bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, no interior de São Paulo. O terreno onde funcionou a empresa e o reservatório de água do bairro foram contaminados por organoclorados produzidos pela indústria nas décadas de 70 e 80.Os moradores afirmam que também estão contaminados e se apoiam em dois laudos assinados pela médica sanitarista Cláudia Guerrero e pelo toxicologista Igor Vassilieff, ambos contratados da prefeitura.No primeiro relatório, divulgado em agosto do ano passado, a contaminação foi constatada em exames de sangue, conforme os médicos municipais. O documento indicou que 86% de 181 moradores que fizeram os exames de sangue e foram submetidos a avaliações clínicas apresentavam contaminação.Na semana passada, foi divulgado um novo relatório, desta vez produzido a partir de exames de biopsia de gordura dos moradores. Dos 120 examinados, 77% apresentaram contaminação por BHC, 21% por DDT, 21% por dieldrin e 9% por aldrin, conforme divulgaram os médicos municipais.O consultor da Shell, o toxicologista Flávio Zambrone, negou a contaminação, alegando que ela não foi verificada nem mesmo no exame anterior. Segundo Zambrone, no caso específico dos exames de sangue, houve erro de interpretação dos números por parte dos médicos municipais. Ele não contestou o resultado das análises, mas a forma como elas foram interpretadas. O médico disse que somente recebeu parte dos exames divulgados em agosto do ano passado em maio deste ano.Zambrone afirmou que as análises, feitas pelo Centro de Toxicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), não indicam contaminação dos moradores, ao contrário do que prega a prefeitura a partir desses mesmos exames. O médico comentou que recebeu análises de 267 pessoas, sendo que em 219,82%, não foram identificados nenhum dos pesticidas avaliados. O toxicologista disse que ouviu vários especialistas do setor e a conclusão foi a mesma. empresa solicitou as análises judicialmente, mas não sabe quanto tempo pode levar para recebê-las.O advogado dos moradores do Recanto dos Pássaros, Waldir Tolentino de Freitas, disse hoje que irá entrar com ações de pedido de indenização por danos à saúde no dia 16. Pelo menos 140 moradores já assinaram a adesão e a expectativa é que esse número chegue a 200, conforme o advogado. Ele comentou que poderá pedir R$ 700 mil de indenização por morador.Na semana passada, o morador Antônio de Pádua Melo, entrou com uma ação individual de indenização por danos materiais e morais. Ele pede R$ 3,4 milhões, sendo que R$ 400 mil é o valor que quer para vender a chácara à empresa. A Shell ofereceu pouco mais de R$ 150 mil a partir da média de avaliações feitas por quatro corretoras de imóveis. Das 66 chácaras do bairro, 47 foram adquiridas pela Shell. Apenas Melo não concordou com a avaliação das corretoras. Outros seis moradores não querem vender. O restante não foi localizado ou está com os documentos irregulares. O projeto de descontaminação do bairro Recanto dos Pássaros, apresentado à Cetesb entre dezembro do ano passado e abril deste ano pela Shell, prevê investimento de US$ 1,5 milhão, conforme o gerente de meio ambiente da divisão química da empresa, Alfredo Santos. A Cetesb está analisando a proposta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.